Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
A magia dos contos de Beedle


Já faz alguns dias que terminei de reler o livreto "Os contos de Beedle, o Bardo", a última obra de J K Rowling e desde então fico adiando o compromisso de escrever essa coluna, que, assim que pousei os olhos no livro, me prometi fazê-lo. Bueno, então cá estou eu agora, já aproveitando para testar o sistema da nova versão do Beco...

Para aqueles que estão completamente perdidos no tempo ou caíram nessa página por engano, "Os contos de Beedle, o bardo" não é um livro sobre as aventuras de Harry Potter ou de seus amigos, muito embora os mais familiarizados com a leitura da série - como eu - não consigam evitar de traçar paralelos e, até mesmo, imaginar a Hermione, com um livro de runas aberto em seu colo, tratando de traduzir a versão original d'Os Contos, recebido por ela do sábio Dumbledore (o Alvo) no último livro da saga.

Pois bem, além do enorme deleite de ler uma obra, por assim dizer, "Potteriana" pela primeira vez novamente, O Contos me deixaram com uma excelente impressão por todas as novidades que trás. Para começar, J K Rowling segue indiretamente os passos de Tolkien, ao publicar para todos os públicos um antigo livro traduzido de algum idioma desconhecido ou perdido para os idiomas modernos - cuja tradutora não é Rowling, mas, sim, Hermione. Isso nos leva imediatamente para o encantável fato de Rowling se colocar dentro da história de Potter - e não através de Dumbledore ou, mesmo, Mione, explicando detalhes que nós leitores precisamos saber, mas diretamente, como uma ponte entre o mundo bruxo e o nosso mundo! Para ressaltar ainda mais esse fato, Rolwing afirma, em seu interessantíssimo prefácio, ter recebido instruções da própria Diretora Minerva McGonagall sobre um determinado assunto que aborda. Ora, essa nova abordagem não só torna o mundo bruxo mais "real", como torna a obra em si ainda mais interessante!

Outra novidade que o livro apresenta é frisada no supracitado prefácio, onde há a explicação destinada a nós trouxas sobre as diferenças peculiares entre os Contos de Fadas que conhecemos e Os contos de Beedle. Parafraseando a autora, Os contos de Beedle trazem personagens com problemas comuns, os quais elas precisam enfrentar, em sua maior parte, de formas comuns, ao contrários dos Contos que conhecemos, em cujos protagonistas precisam enfrentar problemas mágicos e, geralmente, resolve-los com auxílio de magia. Um bom exemplo disso é o conto "A Fonte da Sorte" - meu conto preferido - uma história que poderia ser protagonizada por qualquer um de nós, se levarmos em conta os problemas que afligem as personagens centrais e a forma com que eles esperam resolvê-los.

É claro que eu não poderia deixar de citar também todas as ligações com o mundo bruxo que já conhecemos que o livro trás. Fatos de seu passado e até mesmo sobre o tempo dos anos letivos de Harry Potter, que nos são contados por ninguém mesmo que Alvo Dumbledore, em comentários supostamente escritos alguns poucos meses antes dos acontecimentos da Torre de Astronomia no sexto episódio da série. Além de confirmar a obsessão do diretor pelos Contos trazidos no livro - especialmente no que diz respeito ao último deles -, nos recoloca em contato com essa personagem que tanto nos encantou, nos dando mais uma oportunidade de observar todo seu brilhantismo.

Enfim, os contos de Beedle me foram uma leitura muito prazerosa e acredito que será - ou já foi - para todos os demais fãs da série de Harry Potter e, quiçá, para aqueles que nem são tão fãs assim. São contos inteligentes, bem escritos, com uma linguagem bem acessível, repletos de lições de moral, que certamente deveriam ser contados aos nossos filhos e netos, juntamente com Branca de Neve, Cinderela, Peter Pan e demais histórias do gênero.



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