Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
10 - Renovada

Draco permaneceu possuindo Astoria por vários minutos que pareceram não ter fim. Ela já não tinha forças nem mesmo para chorar. Permanecia de olhos fechados e apertando os lábios, sem reação, esperando que tudo aquilo acabasse.

Finalmente ele ficou satisfeito e com um longo gemido atingiu o clímax. Logo depois tombou ao lado dela e em poucos minutos estava adormecido.

Astoria levantou-se da cama e correu para o banheiro, as lágrimas retornando ao seu rosto. Sentia dor, e mais que tudo, sentia-se humilhada.

Abriu a água e esfregou vigorosamente suas pernas, pescoço, sua intimidade, enfim, todos os locais onde o marido havia tocado. Sentia nojo de si mesma. Apesar de ter sido forçada ao sexo pelo próprio marido, aquele ato não tinha sido como as outras tantas vezes em que se relacionaram. Fora sujo, brutal, agressivo. Ela não tinha sido amada, e sim violentada.

Angustiada, levou as mãos à cabeça e abaixou-se sob a água, chorando copiosamente. Não conseguia absorver aquilo tudo. Amava Draco, era fiel e dedicada a ele, e ele parecia sentir o mesmo, embora não dissesse. Confiava em Draco com sua própria vida. E o homem que ela aprendera a amar, em uma única noite a ofendeu, agrediu e violentou.

"Por quê?", ela soluçou. "Por quê ele fez isso comigo?" A humilhação e a dor física se misturavam dentro dela. Seu rosto doía profundamente e ela não tinha coragem de encarar o espelho e ver o resultado do murro que levara.

Então, uma vozinha ecoou no fundo de sua cabeça: "A culpa foi sua. Quem mandou você dançar com Blaise? Quem mandou você se recusar a satisfazer seu marido? Ele é o homem, e você é só uma mulher que teve o privilégio de ser escolhida por ele. O que você pensa que é?" Astoria estava desenvolvendo um injusto e cruel sentimento de culpa que a fazia sentir-se ainda mais miserável.

Cansada, saiu do banho após muito tempo sob a água. Sentia-se muito enjoada, zonza, e sua cabeça doía terrivelmente. Enrolou-se em uma toalha e ficou por vários minutos sentada no banheiro com o olhar perdido, abatida e sem reação. Após muito tempo, voltou ao quarto.

Olhou para Draco dormindo profundamente e uma emoção estranha se agitou dentro dela. Um sentimento de rancor e ódio começou a crescer a tal ponto que ela sentia que poderia explodir. Inconscientemente, foi até sua penteadeira e pegou uma tesoura pontuda. Foi andando em direção à cama, ofegando e engolindo em seco. A palavra vingança ecoava em sua mente.

Ao se aproximar de Draco, apertou a tesoura na mão, olhando-o com raiva. As cenas terríveis daquela noite passavam por sua mente como um filme de terror. A raiva crescia mais e mais.

Astoria ergueu a mão e segurou a tesoura com as duas, acima do peito do marido. Então, ergueu-a com força, preparando-se para o golpe fatal.

De repente, estacou assustada. "Não", disse outra voz em sua mente. "Não suje suas mãos com o sangue dele. Não vale a pena".

Astoria fechou os olhos e inspirou profundamente, horrorizada com o que quase fez. Olhou a tesoura com uma expressão assustada, como se tivesse medo do que era capaz de fazer. Então, guardou a tesoura e olhou novamente para o marido. Agora não havia ódio ou rancor, mas decepção e mágoa.

Ela observava o peito dele subindo e descendo, a respiração pesada. Sentia-se observando uma fera adormecida que, uma vez despertada, lhe causaria dor e medo. Afastou-se dele antes que fizesse alguma bobagem.

Finalmente resolveu procurar uma roupa. Vestiu uma lingerie recatada e pegou uma camisola. Vestiu-se.

No exato instante em que a camisola caiu pelo seu corpo, uma sensação horrível a dominou: o roçar do tecido em sua pele a fez lembrar dos momentos antes de ser atacada, quando usava uma camisola do mesmo tecido. Nervosa, tirou a camisola às pressas e a olhou com nojo. Por fim, pegou uma camiseta e a vestiu.

A cama que havia preparado no chão ainda estava à sua espera. Astoria caminhou lentamente até ela, deitou-se e enroscou-se sob o edredom. Seu rosto doía, assim como seu corpo. Mas era em seu coração que a dor a torturava mais. As lágrimas não demoraram a retornar a seu rosto. Muitos minutos depois, após muito chorar, ela, exausta, adormeceu.

Horas mais tarde, acordou sobressaltada ao ouvir Draco abrir a porta do banheiro aos trancos. Logo depois, ouviu-o vomitar e gemer, provavelmente com dor de cabeça.

O que ela deveria fazer? Partir para cima dele? Ofendê-lo? Sair de casa? Estava confusa e não sabia como agir. A única coisa que sabia é que não queria falar com Draco naquele momento. Assim, enroscou-se outra vez e fingiu que ainda dormia.

Draco saiu do banheiro praguejando: a ressaca o pegara de jeito. Viu Astoria no chão e bufou, resmungando alguma coisa sobre frescuras femininas. Observou-a por alguns instantes. Astoria podia sentir o olhar dele sobre ela. Sua respiração acelerou.

-Sei que você está acordada. ― Ele disse, com voz pastosa. ― Não pense que não vamos conversar sobre o que houve ontem. Agradeça a essa maldita ressaca, porque se não fosse por ela, agora mesmo eu iria querer resolver isso.

Conversar? Resolver? Do que ele estava falando? Será que achava que o que tinha acontecido tinha que ser discutido? Ele só podia estar brincando.

Astoria ouviu um barulho, como se algo estivesse tremendo sobre o criado-mudo: era o espelho de dois sentidos que Draco usava para se comunicar. O objeto era grande, imitava um tablet, e não tinha alarme sonoro, para não atrair a atenção de trouxas. Quando alguém chamava Draco, aparecia a imagem no espelho, e ele dizia sim para dar continuidade à conversa ou não, se não quisesse falar.

Astoria ouviu os passos de Draco se aproximando do criado-mudo, que estava atrás dela. Sentiu um arrepio com a proximidade do marido. Ele, no entanto, não a incomodou. Pegou o objeto e disse: "sim", num tom um pouco zangado. Logo depois ouviu a voz de Blaise Zabini.

-E aí, Draco? Tudo bem? ― Zabini parecia tão tomado pela ressaca quanto Draco.

-Estaria melhor se não fosse a bebedeira ontem.

-Ah, nem venha com essa, você saiu cedo da festa. ― Contestou Blaise.

-Sim, saí, mas tive motivos de sobra para beber. Aliás, precisamos conversar.

-Tudo bem, cara. Aliás, foi por isso que te chamei. Estamos com problemas na Argentina. Precisamos de uma reunião urgente. Esteja no escritório em no máximo uma hora.

-Uma hora? Mas acabei de acordar!

-Se vira rapaz. Toma um banho e corre. O assunto é sério. Garantirei que haja café forte para nós. Vamos precisar...

-Está bem. Tô indo.

Astoria ouviu-o procurando roupas no armário, depois tomando banho, por fim se vestindo - sempre praguejando contra a ressaca. Até que ele deu alguns passos, parando bem próximo a ela, e disse:

-Quando eu voltar, teremos uma conversa séria a respeito de ontem.

Ele saiu. Astoria ainda permaneceu vários minutos deitada. Após alguns minutos chamou uma das empregadas. A jovem a atendeu imediatamente.

-Pois não, senhora... Oh! ― Espantou-se, ao ver o rosto desfigurado da patroa.

-Por favor, Mary, não diga a ninguém que estou assim. ― Apressou-se a dizer Astoria.

-Não, claro que não, senhora! ― Respondeu Mary, observando com tristeza o rosto de Astoria. ― Mas a senhora precisa cuidar disso. Vou trazer gelo.

-Obrigada. Também quero que troque toda a roupa de cama e me traga algo leve para comer, tudo bem?

-Sim, senhora.

-E caso alguém apareça, diga que não estou. Não quero receber ninguém, em hipótese alguma.

-Pode deixar, senhora. ― Respondeu solícita a empregada. ― Vou cuidar de tudo.

Astoria esboçou um sorriso, dispensando-a. Aguardou até que todos os seus pedidos fossem atendidos. Após comer, deitou-se outra vez em sua cama improvisada.

Em meio às lembranças terríveis, um pensamento surgiu com toda a força em sua mente. "Isso nunca mais vai acontecer. Não permitirei jamais que Draco volte a me bater ou violentar. Nem que um dos dois tenha que matar o outro, mas isso não se repetirá. Juro pela minha vida que não serei mais abusada!"

Com esta determinação em mente, passou a maior parte do dia deitada ali, tentando dormir para fugir do horror da noite anterior.

Draco e Blaise, mais alguns executivos de sua empresa, discutiram exaustivamente delicadas questões relacionadas aos negócios na Argentina. Blaise, que tinha acabado de retornar de lá, estava nervoso com os rumos que as coisas tinham tomado depois de sua partida. Todos estavam preocupados e Draco, o maior acionista, era o que mais tinha razões para se manter alerta.

Uma vez encerrada a reunião, Blaise levantou-se, arrumando documentos em sua pasta e resmungando contra as más notícias que chegaram. Já ia saindo da sala quando Draco o chamou.

-Ei, cara. Não vá embora, temos que conversar.

Blaise retornou, com expressão curiosa.

-O que houve, cara?

-Não gostei de ver sua atitude com minha esposa ontem à noite. ― Draco disparou, sem rodeios.

A expressão no rosto de Blaise passou de curiosa a espantada.

-Eu só a tirei para dançar. Que mal há nisso?

Draco estreitou os olhos para o amigo.

-O mal é que ela é casada, caso você não tenha notado. E não agrada ao marido dela, que por acaso sou eu, vê-la agarrada com outro homem.

-Ah, qual é, Draco! - Exclamou Blaise, descontraído. Foi só uma dança à toa, poderia ter sido com qualquer outra convidada. Não foi uma escolha pessoal. Você não tem que se aborrecer com isso.

-Eu não me aborreceria se não houvesse uma história pregressa.

O sangue pareceu gelar nas veias de Blaise ao ouvir isso. Lembrando-se do pedido de Astoria para que mantivesse em segredo seu passado, ele percebeu que era um blefe.

-História pregressa? Se você se refere ao fato de que estudávamos juntos na Slytherin e de que eu talvez a achasse bonitinha, acho que está se preocupando à toa. ― Ele respondeu, tentando manter o rosto impassível. Draco, perante as palavras dele, pareceu relaxar um pouco, mas ainda tentaria descobrir algum segredo.

- Então vocês não foram namorados?

Blaise forçou uma gargalhada.

-De onde você tirou isso? Por Merlin, não! Olha, Draco, se isso te deixa mais tranquilo, te aviso: sua mulher não me atrai. Ela é linda, é claro, mas para mim, olhar para ela e para um homem dá no mesmo.

Draco sorriu.

-Acho bom. Detestaria ter que quebrar sua cara por causa disso.

O sorriso sumiu do rosto de Blaise. Uma tensão crescente surgiu entre os dois.

-Acha mesmo que seria capaz?

-Tente tirar a minha mulher e você vai ver.

-Não se preocupe, cara. Tem muita mulher no mundo, não preciso tirar a sua.

-Não que você possa. ― Provocou Draco. ― Mas em todo caso, está avisado.

Blaise encarou Draco por um breve período. Então respondeu:

-Certamente não posso competir com você. Fique sossegado.

Draco ergueu as sobrancelhas rapidamente duas vezes, um gesto muito próprio que ele usava para cumprimentar, e saiu da sala, sem imaginar que tinha ferido o orgulho do amigo-e que isso poderia se voltar contra ele no futuro.

Astoria estava sentada à pequena mesa que mantinham no quarto, jantando uma sopa, pensativa. Tinha colocado a cadeira estrategicamente de costas para a porta, pois não queria que vissem seu rosto, caso entrassem de surpresa.

Já era noite quando Draco entrou no quarto, sobressaltando-a. Ela, porém, logo se recompôs e agiu como se ele não tivesse chegado.

Ouviu-o deixar a pasta em algum lugar e depois aproximar-se. Sentiu um arrepio: medo.

-Conversei com Zabini. ― Ele disse, sem preâmbulos. ― Deixei bem claro que detestei a palhaçada que vocês fizeram na festa ontem. Que papel mais ridículo.

Astoria permaneceu em silêncio.

-Disse a ele que não quero vê-lo perto de você outra vez, e que se eu descobrir que ele a tocou novamente, vou arrebentar a cara dele.

"Ótimo. Mude de vítima, para variar.", pensou Astoria.

-Ele disse que não teve intenção de desrespeitá-la e que você comportou-se como uma dama, mas eu sei bem como foram as coisas. E deixei bem claro que não quero que se repita.

Astoria engoliu em seco. Draco aproximou-se e disse, por trás dela e bem próximo a seu ouvido:

-E tenho certeza de que não se repetirá, Astoria, porque se você se comportar daquele jeito outra vez, não a deixo mais sair desta casa.

A mulher ficou quieta, sem responder, sem encarar o marido. Ele começou a se irritar com o silêncio dela.

-Pelo seu silêncio, percebo que sabe que errou. Muito bem, querida. Tenho certeza de que não teremos mais problemas. Até porque ele disse que você não o atrai. Como foi mesmo que me disse? Ah sim, disse que olhar para você e para um homem dá no mesmo.

Astoria sentiu as lágrimas pesando em seus olhos. Como ele podia ser tão frio e agir como se aquela noite de terror não tivesse acontecido? Engoliu em seco outra vez e sentiu as lágrimas percorrendo seu rosto ainda dolorido. Draco, satisfeito com o que ele achava que era a resolução da questão, indagou:

-Por que está jantando no quarto?

Astoria não respondeu. Ele ficou zangado.

-Você está surda, Astoria?

Silêncio.

-Vai ficar de birra, igual a uma criança?

Astoria mais uma vez ignorou-o. Então ele se irritou. Agarrou-a e levantou-a da cadeira à força, enquanto dizia:

-Eu estou falando com você, merda! Pare de agir como se tivesse 10 anos!

Ao dizer isso, fez com que ela o encarasse, e no mesmo instante arregalou os olhos, horrorizado com o que viu: o rosto da esposa desfigurado, o enorme hematoma se espalhando pelo lado esquerdo do seu rosto. Com uma expressão assombrada, murmurou:

-Que porra é essa?

Astoria encarou-o com olhos cheios de mágoa. Com ele ainda segurando seus braços, disse friamente:

-Como você pode ser tão cruel? Como consegue ser tão cínico?

Draco ficou furioso com as palavras dela:

-Como é que é? O que está havendo, mulher? Eu chego em casa, encontro você machucada e você ainda me xinga? Enlouqueceu? Pode falar, quero saber o que houve! Quero uma explicação! Quem fez isso com você?

Astoria, indignada, respondeu:

-Você sabe muito bem o que aconteceu! Não seja ridículo!

-Se eu soubesse, não estaria perguntando! Vamos, fale logo!

Astoria desvencilhou-se de Draco e sentou-se novamente.

-Nunca pensei que você pudesse ser tão fingido.

Draco a observou, como se achasse que ela estava louca. Então, insistiu:

-Trate de me dizer agora o que foi que aconteceu, ou vou tomar uma atitude!

-VOCÊ SABE O QUE ACONTECEU! ― Ela gritou, impaciente, levantando-se novamente. ― Por acaso esqueceu de ontem à noite?

-Depois de ver você nos braços de Blaise? Viemos para casa, discutimos e...

Ele parou de falar, como se tentasse lembrar. Então, continuou:

-... Eu bebi. E o que isso tudo tem a ver com seu olho roxo?

-Cínico!

-Astoria, estou falando sério. É melhor me contar, porque se eu descobrir quem fez isso com você, eu mato!

-Comece matando a si mesmo! ― Ela respondeu num tom de voz repleto de mágoa e desapontamento. ― Apesar de que acho um suicídio pouco castigo, para o que você fez.

Draco a encarou pasmo.

-Como é que é?

-Você sabe!

-Eu não sei, porra, não estou entendendo nada! Dá para você explicar direito?

-Você fez isso! - Gritou Astoria, apontando para o próprio rosto.

-É mentira! ― Ele contestou, indignado.

-Foi você sim, cretino! Me xingou, me agrediu, me... ― ela apertou os lábios, sem coragem de prosseguir.

-Não sou um maldito espancador de mulheres! ― Draco gritou, completamente ultrajado.

-Mas me esmurrou ontem à noite. Encheu a cara e depois me bateu.

-Você está mentindo! ― Draco protestou, mas sua voz deixava transparecer certa insegurança. ―Eu estava com raiva, não nego, e se pudesse, teria mesmo lhe dado uma lição. Mas não faria isso com você. ― Concluiu, apontando para o horrível hematoma no rosto da esposa. ―Não sou nenhum covarde!

Astoria tornou a sentar-se, bufando cheia de raiva. Draco disse, ainda mais inseguro:

-Quero que me diga com todos os detalhes o que aconteceu depois que chegamos aqui.

-Você sabe muito bem de tudo o que aconteceu.

-Bem- respondeu Draco, decidido. ― Já que você não quer falar, não tenho outra opção.

Ele apontou a varinha para a testa de Astoria e logo ele estava dizendo: "Um, dois, três: legilimens!"

Astoria não teve nem tempo de procurar sua varinha para se defender ou de pensar no que significava aquilo, ou se preocupar se o marido descobriria sobre seu passado: logo as imagens da noite anterior saltaram de sua mente. Era como se ela estivesse revivendo tudo: a discussão com a ex amante, o beijo de Draco, a conversa com Charlotte, a dança com Blaise, o tango, os dois saindo às pressas da mansão, a discussão e Draco quase a esbofeteando, a garrafa de whisky...

E logo ela se viu outra vez sob o corpo de Draco, protestando contra sua forma de possuí-la. O soco no rosto. As lágrimas. O corpo dele entrando no dela, violentamente.

Instantes depois ela estava de volta ao quarto, ofegante, abraçando o próprio corpo. E ela não sabia como ainda conseguia produzia-las, mas o fato é que as lágrimas lhe brotavam no rosto abundantemente.

Quando conseguiu fixar o olhar, viu o marido parado à sua frente, com o olhar perdido e os braços esticados ao longo do corpo, arquejante, a varinha pendendo fragilmente em sua mão. Ao perceber o olhar dela, ele a encarou. Seus olhos estavam cheios de dor e vergonha. E os dela, de medo e uma profunda tristeza. Então, ele levou as mãos à cabeça e murmurou: "Por Merlin, o que foi que eu fiz?". E começou a chorar.

Astoria virou-lhe as costas. Não poderia fingir que sentia piedade. Sentou-se novamente e ficou ouvindo-o chorar.

Instantes depois ele se aproximou e abraçou-a, implorando que ela o perdoasse. Mas ela não queria perdoar. Não queria ouvir as desculpas dele e tampouco queria aquele abraço. Afastou-o vigorosamente. O toque dele estava lhe causando repulsa.

-Tire suas mãos de mim! ― Astoria gritou, afastando-o. Draco fitou-a com os olhos tomados pelas lágrimas.

-Astoria, por favor, perdoe-me! ― Suplicou. ― Eu não queria... Eu não sabia... Eu não sei o que deu em mim!

Astoria balançou a cabeça negativamente, como se lamentasse a cena que estava vendo. Então, afastou-se ainda mais de Draco.

-Perdoar? Perdoar vai fazer a minha dor passar? Vai apagar o que aconteceu? Não, não vai. Pegue as suas desculpas e enfie onde você quiser!

-Astoria, por favor! ― Draco insistiu, mais uma vez indo em direção a ela. Astoria imediatamente pegou um vaso de flores sobre a mesa e ameaçou atirar em Draco. Ele, vencido, sentou-se na cama, completamente arrasado.

Astoria empertigou-se e com uma expressão petulante que lhe era incomum, disse:

-Você nunca mais tocará no meu corpo, se eu não quiser. ― disse com firmeza. ― E se resolver pagar para ver, é bom que venha disposto, porque não vou ficar chorando outra vez deixando você fazer o que quiser: vou lutar até que um de nós esteja morto.

Draco a olhou, espantado. Ela prosseguiu:

-E caso você consiga me deixar desacordada e seja calhorda o bastante para abusar de mim nesse estado, é bom que use uma cueca de ferro para o resto de sua vida, ou vai acordar com o seu amiguinho no travesseiro ao seu lado.

Uma expressão de choque espalhava-se pelo rosto de Draco, um pouco pelo conteúdo das palavras da esposa e outro tanto pela segurança que ela demonstrava ao falar. Ela prosseguiu:

-Seus pais e eu cometemos um erro muito grande. Deixamos você achar que pode fazer o que quiser. Pois bem, estou farta disso. Já é hora de alguém lhe impor algum limite. Você tem que deixar de ser um menino mimado e aprender a ser homem!

Draco fez menção de falar, mas Astoria o cortou:

-Cale a boca, eu não terminei!

Ele a encarou estupefato.

-Não vou dizer que puta é a sua mãe porque respeito muito Narcisa e sei que ela não merece o insulto. Mas vou lhe dizer uma coisa: se abrir sua boca maldita para me chamar outra vez de puta, vagabunda, vadia, prostituta ou outro epíteto deste gênero, como já fez, saiba que vou quebrar todos os seus dentes!

Draco e Astoria se encararam por vários instantes. Ela, em seu íntimo, esperava que ele reagisse. Que se levantasse e partisse para cima dela, tentando fazê-la engolir aquelas palavras. Mas em lugar disso, ele apenas disse: "Sim. De acordo." E saiu do quarto.

Astoria ficou pasma com a atitude dele. Não imaginava que ele a ouvisse sem reagir. Entretanto, ficou satisfeita em deixá-lo sem palavras.

Retornou ao seu jantar, mesmo sem muito apetite depois da discussão. Já tinha terminado quando ouviu a porta se abrindo.

-Astoria ― disse Draco, sua voz sem emoção. ― Trouxe alguém para vê-la.

Ela enrijeceu o corpo na cadeira:

-Eu não quero ver ninguém!

-Você precisa de atendimento médico. Eu trouxe o Doutor Richard para vê-la.

-Não é necessário. Estou bem.

Draco olhou para o médico, que fez um sinal com a cabeça indicando que ele saísse. Ele o fez. O médico aproximou-se de Astoria e disse gentilmente:

-Senhora. Seu marido descreveu brevemente o que aconteceu, mas eu gostaria de ouvi-la e atendê-la. Será rápido e evitará que haja maiores complicações.

Astoria encolheu-se, cruzou os braços na mesa e escondeu o rosto.

-Não quero ser vista assim! ― Choramingou.

-Senhora ― interveio o médico, paciente. ― O sigilo estará garantido. Não se preocupe. Só quero garantir que fique bem.

Astoria se ergueu lentamente. Levantou o rosto, mas não encarou o médico.

Ele suspirou, como se não fosse a primeira vez que via algo assim. Examinou-a, fez perguntas e medicou-a. Sugeriu que deveria ser feito um exame mais apurado, mas a mulher recusou-se a ir a um hospital. Então ele encerrou o atendimento, recomendando que ela o procurasse se a dor não passasse ou se algum novo sintoma surgisse.

Antes de chamar Draco, Dr. Richard disse calmamente a Astoria:

-A senhora sabe que o Ministério da Magia tem leis que a protegem, não sabe?

-Não estou muito a par. - ela respondeu sem emoção.

-Pois fique sabendo que sim. Se a senhora quiser denunciar seu marido, basta procurar o departamento de execução das leis da magia.

-Obrigada por avisar. Vou pensar no assunto.

-Pense mesmo, senhora. Ao longo da minha carreira, vi muitas mulheres passarem pelo que a senhora está passando. E infelizmente, na maioria dos casos, tornei a ver as pacientes. Alguns casos evoluem até se tornarem fatais. E nunca quero que isto aconteça.

-Não vai acontecer. Eu garanto. Se ele levantar a mão para mim novamente, o senhor terá que vir atestar o óbito. O meu ou o dele. Não sei.

Espero que não cheguemos a este extremo, senhora. - Ele encerrou, abrindo a porta para chamar Draco.

Draco retornou ao quarto e o médico disse, em voz baixa:

-Sua esposa está medicada. Ela deveria fazer um exame, mas não quer ir ao hospital. Ela não quer se expor, mas digo após anos de experiência que quem estaria mais exposto, nesse caso, seria o senhor. Então, recomendo que tenha cuidado ao lidar com ela. Posso fazer vista grossa uma vez, mas não sei se faria de novo caso o senhor me chamasse.

Draco, constrangido, concordou com um movimento de cabeça e pagou o dobro do valor cobrado. Ao verificar o valor, o médico o encarou. Draco, então, comentou:

-Pela sua discrição.

O médico o encarou profundamente. Depois guardou o dinheiro e retirou-se.

A sós com Astoria novamente, Draco não sabia o que dizer. Ela também não parecia interessada em conversar. Terminou a sopa, seguiu seu ritual noturno de higiene e foi se deitar na cama improvisada no chão do quarto.

Draco, ao vê-la deitar-se ali, disse:

-Pode ficar na cama. Eu durmo aí no tapete.

Astoria o encarou, séria.

-Acha mesmo que eu vou querer dormir aí?

E deu-lhe as costas, enroscando-se sob as cobertas e querendo dormir o mais rápido possível.

Duas semanas haviam se passado. Draco e Astoria pareciam estranhos dentro daquela casa. Mal se falavam, não comiam juntos. Astoria não saiu do quarto até o hematoma desaparecer.

Quando finalmente o roxo sumiu, ela se arrumou para sair. Draco a viu e observou sua roupa minuciosamente.

-Que calça justa é essa?

Astoria ergueu as sobrancelhas e sorriu. Depois, olhou-se no espelho, observando como a roupa se ajustava em seus quadris.

-Bonita, não é? Valoriza as formas.

-Eu não gostei. ― Respondeu Draco. ― Está muito grudada.

-Ah, que pena! ― Exclamou Astoria, num tom de lamento muito forçado. ― Pena você não ter gostado, pois eu adorei.

Draco estreitou os olhos, zangado, sem deixar de notar que ela não fizera sequer menção de procurar outra roupa, como era seu costume quando ele demonstrava desagrado. Sem querer iniciar uma briga, indagou onde ia. Ela respondeu que iria ao Beco Diagonal.

-Vai fazer o quê lá? ― Ele questionou.

-Não é da sua conta.

Draco pareceu inchar de raiva diante da petulância da esposa. Nunca, jamais ela o respondera daquele modo. Ele então disse nervoso, tentando controlar a voz:

-Não pense que vai colocar as asinhas de fora só porque tivemos uma briga séria. Se pensa que vai agir desse modo se aproveitando da situação, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Você é minha esposa e me deve respeito! Se insistir em agir desta maneira, eu...

- Vai fazer o quê? ― Desafiou ela, firme. ― Vai me trancar em casa? Vai me xingar? Ah, já sei! Vai dar um murro na minha cara! ― Ela exclamou, de modo teatral. ― Aqui está meu rosto! Pode começar! ― Ela disse, dando tapinhas no próprio rosto. ― Essa eu quero ver! Mas depois, aguente as consequências!

Os dois se encararam com raiva por alguns instantes. Então, Astoria pegou a bolsa e saiu do quarto, dizendo: "Tenha um bom dia". Draco a chamou duas vezes, mas ela não retornou. Ele ficou ali, ofegante, zangado, sem saber como reagir diante daquela Astoria que ele desconhecia.

Já havia se passado um mês desde a festa de Zabini.

Astoria e Draco ainda estavam distantes. Ele estava insatisfeito com a postura dela, enfrentando-o e recusando qualquer tentativa de fazer as pazes, porém tinha consciência do próprio erro, por isso não estava sendo muito insistente.

Mas, se por um lado sua mente sabia que ele não tinha o direito de insistir, por outro, seu corpo lhe dava sinais de que Astoria estava fazendo falta. Então, certa noite ele resolveu procurá-la.

Astoria estava dormindo na cama nova que ele tinha mandado colocar no quarto. Era uma cama maior que a anterior, confortável e sem o elegante dossel com que estavam acostumados. Ele a tinha convencido a voltar a dormir na cama e dormia ao lado dela, mas não se tocavam. Era uma situação que o irritava, mas Astoria não se importava.

Naquela noite ele resolveu fazer como de costume quando a queria no meio da noite: brincou delicadamente com o cabelo dela perto da orelha. Acariciou-lhe o pescoço. Desceu a mão pelo corpo dela, passando pela cintura e abraçando-a de modo a fazer com que ficasse mais próxima. Então, ouviu sua voz sibilando:

-Tire essa coisa de perto de mim!

Draco ficou parado por um instante, surpreso.

-Ah, qual é, Astoria! Estou com saudades...

Ela afastou-se de leve.

-Azar o seu. Fique longe de mim, estou avisando.

Draco chegou mais para perto, tentando puxá-la levemente.

-Ah, por favor, vai! Estou louco de vontade.

Astoria levantou-se da cama num pulo. Estava bem escuro e Draco não podia vê-la. Ele riu, achando que ela estava fazendo charme, e acendeu a luz dizendo:

-Não seja durona, depois desse tempo todo aposto que você também quer.

Quando a luz acendeu, ele deu um salto, indo para o lado oposto ao qual ela estava e gritando:

-O que é isso, mulher! Enlouqueceu de vez?

Porque Astoria estava com uma faca de cozinha enorme apontada em direção a ele.

Ofegante, com olhos arregalados, ela gritou:

-Eu disse para você ficar longe de mim!

Draco, movido pelo susto ou por estar impressionado com a faca, pegou uma almofada e escondeu sua excitação.

-Pode guardar isso aí, já até perdi a vontade.

Ela não se mexeu.

-Não tente nada contra mim, ou vou me defender. E não adianta esconder a faca, pois tem muitas outras escondidas aqui no quarto.

Draco riu, debochado.

-Facas, é? Você é trouxa? Seria mais fácil usar um feitiço defensivo.

Ela enrubesceu, envergonhada.

-Não consegui aprender um capaz de cortar sem matar.

Ele riu outra vez, ainda mais debochado.

-Ah não, é? Talvez você devesse estudar mais.

Irritada com o deboche ela respondeu:

-Ou então arriscar o sectumsempra, afinal, quem iria sair ferido seria você mesmo, de modo que eu não deveria me importar.

À menção daquele feitiço que ele conhecia muito bem, o rosto de Draco, que já era pálido, ficou ainda mais branco. Ele viu que ela estava falando sério.

-Guarda isso aí. ― Pediu. ―Dou-lhe minha palavra de que não farei nada que você não queira.

Astoria continuou encarando-o e empunhando a faca, decidida. Mas Draco notou que apesar de parecer segura, a mão dela tremia e o olhar dela era assustado, como se ela desejasse não precisar fazer uso daquela arma. Ele então levantou as mãos, num gesto de rendição. "Pode confiar", disse.

Ela baixou a faca lentamente e a colocou sobre a penteadeira. Sentou-se no banquinho, sem tirar os olhos do marido.

Ele sentou-se na beira da cama, encarando-a:

-Nós precisamos conversar.

Ela desviou o olhar.

-Astoria, já faz mais de um mês.

-Eu sei.

-Não é possível que você tenha ficado tão traumatizada assim, a ponto de ter facas escondidas pelo quarto para me evitar.

Ela suspirou profundamente.

-Você não entende.

-Se você me explicar, quem sabe?

Ela inspirou profundamente e disse apenas:

-Coloque-se em meu lugar e imagine se seria fácil esquecer uma agressão vinda de alguém que você amasse e que esperasse que o protegesse de qualquer mal.

Ao terminar, ela encarou o marido por alguns instantes. Depois, retornou à cama. Pôs a faca sob o travesseiro, e ― Draco não pôde deixar de notar ― sua mão também estava lá, certamente segurando a arma.

Não se falaram mais durante a noite.

Já se passavam pouco mais de três meses desde a festa de Zabini.

Draco, Astoria e Narcisa estavam à mesa, onde haviam acabado de jantar. Mary, a empregada, serviu aos três xícaras de chá.

Distraído, Draco levou sua xícara à boca, sem notar que ela fumegava. Obviamente, queimou-se com o chá. Largando a xícara na mesa, gritou:

-Sua estúpida! Está tentando me mutilar ou o quê?

Astoria, acostumada aos chiliques do marido, balançou de leve a cabeça negativamente, e revirou os olhos. Narcisa, no entanto, mostrou-se espantada.

-Calma, filho! Você deveria tomar mais cuidado. Não viu que o chá estava quente?

-Ora essa! O que custava essa idiota avisar? ― Pegando a xícara na mesa, ele atirou-a na bandeja e ela se chocou violentamente no bule,que estava na bandeja que a empregada segurava, depois caiu no chão e se espatifou. A pobre Mary arregalou os olhos, assustada.

-Draco! Que comportamento é esse? ― Ralhou Narcisa, enquanto Astoria sinalizava para que Mary saísse da sala, para sua própria segurança.

-Estou cansado de gente incompetente! ― Ele exclamou, zangado.

Narcisa observou o filho, enquanto Astoria mexia placidamente seu chá, indiferente ao nervosismo do marido.

-Você está muito nervoso por um motivo tão bobo. O que é que está deixando você assim, à flor da pele?

Ele bufou e respondeu:

-O problema é que eu não tenho nervos de aço.

E lançou um rápido olhar mal humorado para a esposa, que permanecia indiferente à histeria dele. Narcisa não deixou passar despercebido. Então, observou a nora e notou que ela parecia fria, amargurada e desligada do marido.

Sem disfarce ou cerimônia, indagou:

-Como anda a vida de vocês dois?

Eles a encararam, Astoria saindo da apatia.

-Estamos bem. ― respondeu Draco, mas sua expressão desconfiada o traiu. Astoria concordou, mas sem encarar a sogra. A atitude de ambos deu a ela a certeza do que estava pensando.

-Estão bem, é? E há quanto tempo não transam?

-Mamãe! ―Draco exclamou. ― Isso é coisa que se pergunte?

Ignorando-o, ela dirigiu-se à nora.

-Responda querida. Há quanto tempo vocês não fazem sexo?

Astoria, constrangida, começou a tentar falar, mas não conseguia formar uma frase. Então Draco respondeu:

-Três meses.

-Como é que é?

Draco amarrou a cara:

-É isso mesmo, mamãe. Estamos há três meses sem fazer amor. E o que isso tem a ver com tudo?

Demonstrando preocupação maior com outros problemas que não o mau humor do filho e a chateação da nora, Narcisa disse:

-Três meses? É pior do que eu desconfiava! Como esperam ter filhos sem transar? Como o sobrenome da família Malfoy vai se manter se seu herdeiro não procura sua mulher?

-Não é bem assim, mãe! ― Reagiu Draco, ofendido. ― Temos problemas, como qualquer casal! Acontece que...

-Acontece ―cortou ela- que não me interessa! Tratem de resolver seus problemas! Eu quero netos! Onde já se viu? Tão jovens e tão tolos!

Ela se levantou, atirou o guardanapo na mesa e retirou-se para seu quarto. Astoria, que ouvira tudo de cabeça baixa e em silêncio, encarou o marido. Ele disse:

-Ela tem razão. Você sabe.

Astoria engoliu em seco.

-Não é culpa minha. Você sabe.

Draco inspirou. Aproximou-se de Astoria e segurou suas mãos.

-Astoria, você não pode se queixar de que eu não a procuro. Já tentei várias vezes e você sempre diz não. O que eu posso fazer? Não posso forçá-la a fazer o que não quer.

Os lábios de Astoria começaram a tremer. De repente ela parecia muito frágil.

-Draco, não é que eu não queira. ―Disse, chorosa. - Aquele episódio já está no passado, já conversamos e eu decidi perdoá-lo, mas... ―ela engoliu em seco outra vez. ― Não posso evitar. Quando você me toca, é como se tudo estivesse voltando. Eu também sinto sua falta, também o quero, já até me arrumei para você numa noite dessas, mas quando chega a hora, eu... ―Ela calou-se, tentando explicar. - Eu não quero pensar em você como um es... ― ela parou de falar e escolheu uma palavra menos cruel. ― Como um agressor. O problema é que eu simplesmente não consigo!

Draco suspirou, compreensivo.

-Entendo. Mas isso tem que parar. Olha, eu acho melhor procurarmos um médico. Um daqueles trouxas que ajudam os outros a colocarem a cabeça no lugar.

Astoria empertigou-se.

-Se você não pode procurar médicos trouxas pra nos ajudarem a ter filhos, não posso procurá-los para me ajudarem a voltar para sua cama.

-Astoria, por favor, seja razoável!

-Me dê algum tempo, está bem? Vou ver o que posso fazer pra resolver isso.

-Você já teve três meses. Quanto mais terei que esperar?

-Não sei. O tempo que for necessário.

-Para você isto pode ser simples, mas para mim é uma tortura.

-Então procure outra para aliviar seus instintos. Eu não me importo. Vá lá e arrume uma que satisfaça seus desejos animais.

-Eu não quero outras, quero minha esposa. Será que dá para entender?

-Então espere. Você causou tudo isso. Agora, espere até ter uma solução.

-Tudo bem, querida, mas espero que isso acabe logo. Quero resolver da melhor forma, porque gosto de você. Porém, se continuar assim, vamos ter que reavaliar se realmente queremos manter este casamento.

Astoria abriu a boca para responder, mas Draco se levantou rapidamente e já estava subindo para o quarto quando disse:

-Pense bem no que quer fazer.

No dia seguinte, Draco e Astoria não se falaram pela manhã, pois ele saiu quando ela ainda estava dormindo.

Astoria aproveitou o dia para sair, cuidar da beleza, comprar roupas novas, enfim, um dia bem feminino, para esquecer as conversas da noite anterior.

Já estava anoitecendo quando retornou para casa carregando várias sacolas. Ao entrar, encontrou a sogra com Blaise Zabini. Eles estavam na sala de estar. Mary lhe entregava um copo d'água, que ela segurava tremendo muito, enquanto Blaise parecia confortá-la.

-Fique tranquila, está tudo bem. O pior já passou.

Astoria aproximou-se e percebeu que Narcisa chorava. Ela então perguntou ansiosa:

-O que houve? Blaise, o que aconteceu?

Blaise encarou Astoria soturno:

-Draco levou um tiro.
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