Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
15 - Porteños

A vários pés de altura, Astoria contava os minutos para rever seu marido.

Estava confortavelmente instalada em uma poltrona à janela, por onde via o sol se pôr, encantada com a beleza daquela vista. Ao seu lado, no assento do meio, havia uma mulher elegante como ela, morena de pele clara, acompanhada pelo marido, sentado na poltrona do corredor. Ambos eram italianos, portanto, Astoria e eles trocaram cumprimentos breves mas não conseguiram estabelecer um diálogo. A mulher cochilava enquanto o marido lia e a própria Astoria também lia um livro sobre a cultura argentina.

O voo transcorria tranquilo, embora com atraso devido a problemas em uma das conexões. Também tinham passado por uma turbulência sobre o oceano, o que a deixou muito assustada, mas agora a aeronave fazia um voo suave em que a única preocupação era a hora de chegar e encontrar quem estava em terra.

Blaise não disfarçara a insatisfação em conseguir manda-la para a Argentina, mas simplesmente não havia opção. Era isso ou ver Draco jogando tudo para o alto e correndo o risco de ser preso e ainda leva-lo junto. O bom senso prevaleceu e Astoria logo estava a caminho da Argentina.

Agora ela tentava relaxar, sem saber exatamente a hora em que chegaria. A ansiedade era tanta que já havia comido vários biscoitos e chocolates, o que aliás se tornara rotina desde que Draco viajara, tanto é que ela exibia alguns quilos a mais.

Recostou-se na poltrona admirando o céu. Só percebeu que dormira quando a voz do piloto a acordou, informando que era o momento dos procedimentos para o pouso. Estavam chegando! Feliz, apertou o cinto de segurança, atenta às instruções.

O pouso transcorreu com total tranquilidade. Astoria observou o avião taxiando, tamborilando impacientemente os dedos no braço da poltrona. Queria sair logo dali e rever seu marido que, tinha certeza, estava esperando por ela no aeroporto.

Finalmente chegou sua vez de sair da aeronave. Cumprimentou os comissários e foi apressadamente buscar suas malas. Bateu o pé nervosamente até que viu a primeira delas aparecer na esteira.

Astoria não costumava cometer os erros que os bruxos cometem ao se misturarem com trouxas, vestindo roupas esquisitas ou desconhecendo hábitos, o que frequentemente causava o oposto do pretendido-em vez de passarem despercebidos, chamarem mais atenção. Desta vez, porém, ela fugiu à própria regra. Suas malas de um rosa choque gritante continham adesivos personalizados com o brasão da família Malfoy por todos os lados. Logo chamaram a atenção de todos, alguns rindo discretamente, outros imaginando que se tratava de uma pessoa de família muito nobre. Alheia a tudo isso, porém, ela concentrou-se em pôr as malas no carrinho e seguir adiante.

Apesar da ansiedade para rever o marido, passou no banheiro para dar um jeito na aparência. Lavou o rosto, escovou os dentes e os cabelos, trocou toda a roupa, perfumou-se, refez a maquiagem, escolhendo cores leves e discretas. Já ouvia as conversas em espanhol, demonstrando o quanto estava longe de casa.

Finalmente foi em direção à saída, empurrando seu carrinho. Outro voo chegara e ela acabou se misturando a um grupo de recém-chegados. Olhava para todos os lados à procura de Draco.

O grupo foi se dispersando conforme passava pelo portão de saída e Astoria continuava atenta. Bastou apenas que também passasse pelo portão e ela o viu.

Ele estava de pé a uma certa distância, parecendo tão ansioso quanto ela. Vestia uma camisa dourada sob um blazer negro, gravata preta e calça social também preta. Usava sapatos pretos e estava com o cabelo meio despenteado, o que lhe dava um ar informal. Ao vê-lo, Astoria abriu um enorme sorriso, refletindo o dele, que parecia tão feliz quanto ela. Ela viu os lábios dele desenharem seu nome enquanto os dela murmuravam: "Meu amor".

Os dois se aproximaram o mais rápido que conseguiram, driblando as pessoas que caminhavam lentamente à sua frente. Quando enfim chegaram perto, Astoria abandonou o carrinho, completamente desinteressada nas malas, e atirou os braços ao redor do pescoço de Draco. Felizes, os dois olharam-se por uma fração de segundo, então seus lábios se encontraram com todo ardor, cheios de paixão e saudades.

Perderam completamente a noção do tempo e espaço enquanto estavam ali, entrelaçados naquele beijo. Esperaram aquele momento por vários meses, e quando enfim acontecia, não parecia que era real.

-¿Señor? ¿Señora? Por favor.

Draco e Astoria pararam o beijo e se deram conta de que havia uma roda ao redor deles. Algumas pessoas, apressadas, pareciam irritadas. Outras pareciam encantadas ao assistir àquela manifestação pública de afeto entre o jovem casal.

Draco deu um sorriso sem graça, enquanto Astoria ia em direção ao carrinho. "¡Lo siento, señor!", disse ela, constrangida, ao funcionário do aeroporto que os interrompera. Ele sorriu, condescendente, aparentemente compreendendo o arroubo de saudades entre os dois apesar da pequena confusão que se formou ao redor.

Astoria empurrou o carrinho até onde estava Draco e ele gentilmente o retirou das mãos da esposa. Com um sorriso divertido, disse:

-"Lo siento, señor" ? De onde veio isso?

Ela riu.

-Você não achou que eu ia ficar na Inglaterra esperando por você sem fazer nada, não é? Aproveitei para aprender um pouquinho de espanhol. Sabia que logo poderia vir te encontrar.

-Muy bueno.

Astoria olhou-o espantada:

-Ora ora, quem é você e o que fez com meu marido inglês?

Draco esboçou um sorriso, dirigindo o carrinho a um ponto vazio em meio ao saguão. "Vamos conversar ali", ele disse.

Os dois pararam o carrinho de modo a não atrapalhar os passantes e viraram-se um para o outro novamente. Astoria abraçou Draco pela cintura, enquanto ele pousava as mãos em seu rosto, olhando-a atentamente, com um sorriso enorme. "Que saudades", disse baixinho. E aproximaram os rostos, seus narizes se tocaram por dois segundos, seus lábios trocaram um leve toque fugidio enquanto eles aspiravam o ar com força, saboreando o cheiro um do outro, e enfim tornaram a se beijar.

Era como se algo no universo estivesse retornando ao seu devido lugar. Como se cada movimento de sua língua na boca de Draco e da dele na sua fizesse uma pequena engrenagem se ajustar, um parafuso se apertar. Como se as coisas estivessem voltando para onde sempre deveriam ter estado e o equilíbrio estivesse se restabelecendo. O beijo em Zabini parecia algo ocorrido em outra vida. Ela estava no lugar certo agora: nos braços do homem a quem tanto amava.

Após longos minutos de um beijo apaixonado, Draco acariciou o rosto de Astoria. Estaria observando as faces mais rechonchudas que ela herdara ao diminuir os exercícios e aumentar o consumo de doces devido à tristeza pela ausência do marido? O fato é que ela também o estava observando e repetiu o gesto, acariciando-o.

Ela deu um sorriso e comentou:

-Você está tão magrinho, amor!

-Pois é. Não tinha ninguém para cuidar de mim. ― ele disse carinhosamente. Ela riu e ele completou: - Mas você continua ótima.

Ela o olhou de soslaio, desconfiada:

-Mentiroso! Eu estou gorda! Veja só como estou enorme. Vou voltar aos exercícios imediatamente.

-Está linda. ― Draco disse categórico, apertando a cintura dela como se buscasse um pneuzinho. Ela lhe deu um tapinha leve na mão, rindo. Draco riu também e sorrindo voltou a enlaçá-la pela cintura. ―Mal posso acreditar que você está aqui. Já estava enlouquecendo, ficando longe de você.

-Eu também. Foram os dias mais difíceis da minha vida.

Eles se abraçaram com força. Não dava para saber qual dos dois estava mais feliz.

-Vamos para casa? ― Disse Draco finalmente, voltando a empurrar o carrinho.

Saíram do aeroporto conversando alegremente. Astoria parecia encantada com tudo o que via, afinal, nunca estivera na América do Sul e tudo ali era novo para ela. O casal tomou um táxi e fez uma viagem de aproximadamente meia hora, até chegar ao apartamento onde Draco estava vivendo.

Era um bairro bonito e simples, basicamente residencial. Diante do prédio havia uma enorme praça bem conservada. O prédio era pequeno, apenas quatro andares, era bem conservado e tinha varandas. Astoria imaginou brevemente como Draco estava se virando ali, convivendo com trouxas.

Draco retirou as malas do carro, com ajuda da esposa. Quando entravam no prédio ele comentou: "Quatro malas enormes!" Astoria, debochada, respondeu: "Fiz o possível para trazer pouca coisa."

Chegaram ao apartamento e Astoria deu uma boa olhada ao redor. Estava limpo e arrumado, apesar de haver uma ou outra coisa fora do lugar. Dava para ver que Draco se esforçara para deixar tudo em ordem para a chegada da esposa, mas também era claro que ele não estava cuidando de tudo sozinho. Curiosa, ela perguntou: "Quem arruma a casa para você?".

-A trouxa. ― Respondeu Draco, voltando do quarto, onde tinha ido deixar duas malas e pegando as outras duas. ― Uma bruxa abortada que Zabini me indicou. Trabalha como empregada para bruxos. É uma senhora de cinquenta anos. ― Draco acrescentou, diante de uma olhadela desconfiada de Astoria.

Ela estava olhando por uma porta de vidro que dava para a varanda e observando a praça, puxando uma parte da cortina para poder ver. Distraída, não viu Draco se aproximando por trás dela.

Ele a agarrou pela cintura e afundou o rosto em seu pescoço, beijando com toda a força, sugando, mordiscando-lhe as orelhas. Ela se assustou, mas logo riu.

-Draco! ― Disse ― acabei de chegar! Preciso descansar, tomar um banho...

-Depois tomamos banho juntos. Agora quero matar as saudades. ― ele disse, fazendo-a virar. Ela encarou aqueles olhos cheios de desejo.

-Mas querido ― disse ela, sem muita convicção. ― Eu nem me arrumei para você!

Draco a olhou decepcionado.

-Puxa vida, Astoria. ― disse com uma expressão arrasada, completamente infeliz com a negativa dela.

Mas Astoria estava só fazendo charme. O que Draco queria, ela também queria, tanto ou mais do que ele. Feliz por ele deseja-la tanto, abraçou-o e disse, com os lábios bem próximos aos dele: "Seu desejo é uma ordem".

Foi a senha que ele estava esperando. Draco a puxou pela cintura e a beijou com voracidade. Depois foi empurrando-a de encontro à parede, sem parar de beijá-la. Pressionou seu corpo contra o dela, tateando-o livremente, reconhecendo as curvas que tanto o atraíam.

Levou a mão às costas de Astoria e baixou lentamente o zíper do vestido que ela usava. A respiração dela acelerou devido à crescente excitação. O vestido caiu aos pés de Astoria e ela o atirou para longe com o pé enquanto Draco beijava-lhe o pescoço, o colo, indo a caminho de seus seios. As mãos dele estavam em seus quadris, os dedos presos pelo elástico da calcinha, ele baixando-a lentamente, sem pressa de tirá-la de onde estava.

Draco abandonou aquele movimento por alguns instantes e levou as mãos até o sutiã, despindo-o com uma lentidão quase dolorosa. Logo um par de seios pequenos e rígidos estavam livres e Draco abocanhou um deles enquanto sua mão acariciava o outro, ora com carinho, ora com firmeza. Astoria deixou a cabeça pender para trás, extasiada com aquele toque sensual, sussurrando o nome de seu marido com voz rouca.

Após alguns minutos daquela doce tortura ele voltou a beijá-la, entrelaçando suas mãos às dela. Depois ela levou as mãos à cintura dele, abrindo desajeitadamente seu cinto. Ele sorriu olhando para ela e esperando que ela o despisse. Ela tirou-lhe o blazer e começou a desabotoar a camisa, beijando, mordiscando e lambendo ao longo do peito conforme ia desabotoando. Finalmente tirou a gravata e a camisa e atirou-as para longe. Levou as mãos à cintura dele e baixou as calças juntamente com a roupa íntima, deixando visível o desejo que ele sentia.

Astoria abaixou-se e ajudou Draco a se livrar das roupas. Ajoelhou-se e aproximou o rosto da intimidade dele e acariciou-a com o rosto, louca de prazer. Sem aguentar esperar mais, abocanhou-o com voracidade enquanto ele gemia alto e enrolava os cabelos dela em sua mão, movimentando a cabeça dela num vai-e-vem suave e ritmado, entorpecido pelo desejo. Ela acariciava-o com sua língua fazendo movimentos sensuais, deixando-o completamente desnorteado.

Depois de alguns minutos daquela explosão de prazer, Draco disse: "Chega.". Astoria o encarou com uma expressão tarada, compreendendo o motivo da interrupção, mas ele não a deixou pensar por muito tempo. Puxou delicadamente os cabelos dela, indicando que ficasse de pé. Quando ela o fez, ele a puxou de encontro ao seu corpo e beijou-a outra vez com muita paixão e voracidade, fazendo-a arquejar. Ela empurrava o corpo contra o dele e o toque de seus corpos retumbava em suas partes íntimas, deixando-os ainda mais excitados.

Draco agarrou Astoria erguendo-a do chão e ela enlaçou sua cintura com as pernas. Levou-a até o quarto e a colocou na beirada da cama. Ela riu, animada, e chegou para o meio da cama, abrindo-se para recebe-lo, mas em vez de jogar o corpo contra o dela, como ela esperava, ele mergulhou a cabeça entre suas pernas e acariciou a parte mais sensível dela com sua língua quente, rígida, rápida e sensual. O corpo dela se contraiu em espasmos e ela moveu os quadris freneticamente em direção aos lábios dele, e já não gemia, mas gritava de prazer, sempre repetindo o nome dele, sempre pedindo para que ele não parasse, sempre pedindo mais.

Ele percebeu que ela estava a caminho do clímax e parou, para prolongar aquele momento. Ela ofegou por alguns instantes, enquanto ele se posicionava em cima dela e entre suas pernas. Pegou a perna esquerda dela e a flexionou, fazendo com que ela apoiasse o pé em seu ombro. Então encostou sua intimidade na dela, sem penetrá-la, e começou a fazer movimentos de vai e vem, fazendo aquele ponto tão sensível que escondia um manancial de prazer sentir toda a sua excitante extensão.

Astoria estava entorpecida, envolvida num mundo de sensações inexplicáveis. Quanto mais ele a possuía, mais ela o queria. Ele murmurava coisas impublicáveis no ouvido dela, que sorria sendo na cama a louca que ninguém poderia supor ao vê-la como uma lady à mesa.

Após mais alguns minutos, Draco parou aquele movimento e entrelaçou as mãos às de Astoria, beijando-a outra vez. Parou, olhou o rosto dela afogueado pelo desejo e levou a mão à intimidade dela, abarcando-a e sentindo o calor, a excitação, os pelos bem aparados delineando o caminho para o prazer total. Fechou os olhos e inspirou profundamente apertando os lábios de um modo erótico, deliciando-se com aquele toque.

-Como você pode ser tão gostosa, mulher? ― Ele disse, sua mão se movimentando dentro dela, deslizando livremente naquela fonte de desejos.

-Você é que é gostoso demais, meu amor. ― Ela arquejou. ―Por favor, pare de me torturar!

Ele riu, malvado e sensual:

-E o que você quer?

-Quero você!

-Acho que não ouvi direito. ― Ele disse, aprofundando os dedos dentro dela, que deu um longo gemido.

-Quero você, amor, por favor! Quero você dentro de mim agora!

Ele riu, mordeu os lábios e disse: "Minha putinha gostosa". Ela gargalhou, satisfeita, e o agarrou com as pernas, enquanto ele procurava o encaixe perfeito entre seus corpos.

Draco a penetrou lentamente e ela gemeu plenamente satisfeita, sentindo aquele corpo preenchendo-a. Ele começou com movimentos leves, para que ela o sentisse aos poucos e saboreasse o reencontro. Quanto mais ele ia e vinha dentro dela, mais enlouquecida ela ficava, murmurando mil coisas no ouvido de seu homem, coisas que ela jamais se atreveria a dizer fora da cama, o que ela queria que ele fizesse... Aquela cama agora era um caldeirão de libido.

De repente, Draco mergulhou o rosto no pescoço de Astoria, beijando e chupando com toda a força e enquanto dava-lhe uma forte estocada. Ela urrou de prazer e cravou as unhas nas costas dele que, excitado, repetiu o gesto mais algumas vezes, segurando os braços dela contra a cama e alternando com movimentos mais leves porém mais rápidos. Os gemidos de Astoria tornaram se mais intensos, mais altos, seu corpo começou a tremer com força e de repente ela sentia-se explodindo de prazer e ao mesmo tempo derretendo sob o corpo de Draco. Estava completamente fora de si. Estava banhada em êxtase.

Enquanto Astoria desfrutava aquele momento de intenso prazer, Draco observava seu rosto, acariciando-o e vendo a satisfação evidente ali. Um sorriso surgiu ao vê-la satisfeita, pois o prazer dela o excitava.

Ele voltou a segurar as mãos dela contra a cama e a penetrou novamente, dessa vez com mais firmeza e rapidez, movimentando-se freneticamente, ouvindo os gemidos dela que fundiam-se aos seus. Após alguns minutos ele deu uma última estocada profunda e desmontou sobre o corpo de Astoria, enquanto ela sentia-o se derramar dentro dela.

Ficaram abraçados por um longo tempo sem dizer nada, apenas apreciando a presença do outro ali. Astoria estava nas nuvens ao reencontrar-se com seu amor. Draco estava espantado com o quanto tudo tinha sido mais intenso depois que ele se deu conta do que sentia por Astoria. Ambos estavam em um estado de sublime contemplação após desfrutarem aquela relação amorosa, onde buscaram satisfazer um ao outro e nesta troca, encontraram a própria realização por sentirem-se como se fossem um só.

- Este tempo todo me fazendo acreditar que estava com saudades, e quando chego aqui a primeira coisa que faz é tentar me matar. ― disse Astoria, com a voz rouca.

-Matar você? Que absurdo! Você é que tentou exaurir este pobre homem. ― respondeu Draco.

Os dois estavam abraçados, Astoria repousando a cabeça no peito de Draco. Ela olhou para ele, que a sustentou seu olhar e sorriu, o que fez com que ela se arrastasse na cama para beijá-lo.

-Estava morrendo de saudades. ― Ela disse. ― Mas acho que já recuperamos o tempo perdido.

-Pois eu acho que não. ― Contestou Draco, e completou com ar atrevido: ― Ainda temos algumas coisas para fazer.

Ela riu.

-O que há com você? Ficou insaciável?

-Não é isso. É só que para matar as saudades mesmo, eu quero um especial.

Astoria virou-se de costas para Draco, sorrindo discretamente:

-Achei que o especial era só para datas especiais.

-E o que pode ser mais especial do que nosso reencontro após quase quatro meses separados? - Draco indagou enquanto a abraçava, ficando de conchinha com ela.

-Vou pensar no seu caso. ― Astoria respondeu, empurrando leve e sensualmente o bumbum contra a pélvis do marido, o que fez com que ele a abraçasse com mais força. Ela riu e rapidamente levantou-se da cama. "Vou tomar banho", anunciou.

Minutos depois estava no boxe. Não era um banheiro enorme como o que dividiam em casa, mas era espaçoso. Astoria abriu a água do chuveiro e entrou na água, finalmente relaxando após a longa viagem.

Instantes depois, Draco também entrou no boxe. Sem perder um só minuto, agarrou Astoria e a fez virar, beijando-a com voracidade.

-Não acredito que você está com tesão outra vez! ― Exclamou ela surpresa.

Ele riu.

-Pode acreditar. E eu quero o especial, se você também quiser. ― Ele murmurou ao ouvido dela. Com um sorriso maroto ela respondeu:

-E quando foi que eu lhe disse não?

Draco sorriu abertamente e a encostou na parede, forçando o corpo contra o dela e deslizando sua mão por todos os lados enquanto a água os atingia. Após alguns instantes ele fechou a água e a puxou para fora do box.

Astoria pensou que ele estava levando-a para a cama. Para sua surpresa, porém, ele a virou de frente para a pia, que tinha uma bancada de mármore muito limpa e alguns produtos de higiene masculina espalhados por ali. Abraçou Astoria e acariciou seus seios, observando as reações dela pelo espelho.

Com a rapidez de quem parecia acostumado ao gesto todos os dias, Draco abriu uma gaveta do armário sob a pia e pegou uma bisnaga parecida com creme dental. Astoria franziu a testa:

-O que isto está fazendo aí? ― Indagou desconfiada.

-Esperando por você. ― Ele respondeu.

Ela achou estranho, mas não quis discutir o assunto - sua excitação estava aumentando juntamente com a de Draco. Ela decidiu esquecer e se entregar mais uma vez a ele, satisfazendo seu desejo que, ela sabia, era dela também.

Ela sentiu Draco espalhando o conteúdo daquela bisnaga em sua parte especial e instantes depois ele entrava mais uma vez em seu corpo, em uma nova forma de dar e receber prazer. Draco segurava os quadris de Astoria, puxando-a para si ao mesmo tempo em que empurrava seu corpo para dentro dela, e seus movimentos firmes mas cuidadosos provocavam ondas de desejo nela, que gemia e tremia curvada sobre a pia. Eles embarcaram juntos em um mundo de luxúria onde não havia censura, só havia os dois e o delírio sensual em que se encontravam ao consumar aquele doce pecado.

Astoria estava dormindo, exausta pela viagem e pela maratona de sexo com que Draco a recepcionara. Dormira abraçada ao marido, completamente satisfeita por estar em seus braços e por ter matado a vontade de entregar-se a ele.

Draco não estava dormindo.

Sua mão deslizava pelas costas dela, não com sensualidade, mas com a precisão de um perito.

Procurava marcas naquele corpo tão adorado. Qualquer arranhão, cicatriz, hematoma-qualquer coisa que parecesse ter sido feita há mais do que algumas horas.

Não havia nada, a não ser as marcas que ele mesmo fizera.

Delicadamente a virou de barriga para cima. Ela resmungou alguma coisa, mas não acordou. Ele continuou procurando minuciosamente.

Finalmente deu-se por convencido de que ela não havia sido tocada por ninguém.

Repassou na mente cada gesto vivido naquela noite. Cada toque, cada murmúrio, cada gemido. Tirando a paixão arrebatadora que haviam experimentado, tudo parecia igual em Astoria.

Aconchegou-se na cama, junto ao corpo da esposa, relaxando. "Minha mulher", pensou. "Só minha".

E dormiu.

Na manhã seguinte, Astoria espreguiçou-se na cama languidamente. Seu braço tocou em Draco e ela virou a cabeça para olhá-lo. Deu um sorriso ao dar-se conta de que estava ali, na Argentina, junto com seu amor após tanto tempo separados. Ainda estava repleta do prazer que experimentara na noite anterior e se sentia leve.

Deu um beijo no rosto de Draco, aspirando profundamente o cheiro dele. Levantou-se da cama animada. Tomou um banho rápido, lembrando com satisfação a transa no banheiro, e depois procurou algo para vestir. Com preguiça de abrir as malas, pegou uma lingerie que estava em sua bagagem de mão e vestiu a camisa que despira de Draco antes de fazerem amor.

Abriu a geladeira e viu que havia pouco o que comer ali. Apenas alguns ovos, pedacinhos de bacon e refrigerante velho, entre outras poucas coisas. Pensou em como Draco estava se virando vivendo sozinho e fez uma anotação mental de que deveria fazer compras mais tarde. Seria divertido, imaginava ela, fazer compras para os dois após anos sob os cuidados de empregados. Será que acertaria e compraria as coisas que ele gostava? Uma animada expectativa agitou-se dentro dela.

Vasculhou os armários em busca de uma frigideira e demais apetrechos. Tudo estava limpo e arrumado. Certamente Draco não andava se aventurando muito na cozinha. Colocou a frigideira no fogão e ligou o fogo, começando a fritar uns pedacinhos de bacon. Um cheiro delicioso se espalhou pela cozinha e Astoria sentiu-se feliz, pois havia tempos que não chegava perto de um fogão. Estar ali a fez sentir-se livre.

Já tinha misturado ovos ao bacon e colocado num prato e esquentava fatias de pão de forma na mesma frigideira, quando ouviu os passos de Draco se arrastando atrás dela.

Ele se aproximou e a abraçou pela cintura, jogando um pouco do peso de seu corpo sobre o dela, que se desequilibrou e exclamou o nome dele sorrindo. Usava um robe fino que permitia a ela sentir o calor de seu corpo e seus músculos bem desenvolvidos. Ele a beijou no rosto e indagou: "O que você está preparando para nós, meu bem?".

-Para nós? ― Ela retrucou teatralmente. ― Acha mesmo que vou cozinhar para você, depois de me explorar tão cruelmente em busca dos meus atributos sexuais?

-Ora ora! Você também não usou e abusou do meu corpinho?

Os dois riram. Draco mordiscou-lhe a orelha e ela jogou a cabeça para trás, facilitando-lhe o movimento. Astoria desligou o fogo e virou-se para Draco e eles se beijaram.

Draco soltou Astoria e sentou-se à uma mesinha que ficava na cozinha, em frente ao fogão. Astoria serviu a refeição em dois pratos e preparou um pouco de chá.

-Que horas você vai trabalhar? ― Indagou.

-Já era para eu ter ido, mas um dia que eu chegue mais tarde não vai trazer prejuízo. ― Respondeu Draco.

-E como estão os negócios?

-Vão indo bem. Estou desenrolando os nós que Donovan criou e logo tudo estará acertado, o problema é lidar com o estatuto de sigilo bruxo. Porém, está tudo caminhando bem e os resultados têm sido ótimos.

Draco não perguntou como andavam os trabalhos de Astoria com o ouro, porque simplesmente não lhe despertava interesse. Não via como um trabalho, mas como um hobby. Astoria já estava acostumada a isso, então nem se deu conta.

-Como foram as coisas lá em casa sem mim?

Astoria fez um relato breve da vida durante o tempo em que estiveram afastados, enquanto servia o chá. Depois sentou-se ao lado de Draco e comeram enquanto conversavam animadamente.

Quando terminaram, Astoria levou a louça para a pia e começou a lavá-la.

-Estava pensando em leva-la ao trabalho hoje. Podemos comer alguma coisa lá mesmo na hora do almoço e no fim do dia te levo para jantar.

-Parece ótimo!

Astoria terminou de lavar os copos e pratos, secou as mãos em um pano de copa e quando virou-se viu que Draco ainda estava sentado. Encostado à parede, ele a observava atentamente com um meio sorriso, como se a visão dela o encantasse.

-O que foi? Ela indagou, sem graça.

-Estou feliz em te ver aqui. ― Ele respondeu com simplicidade.

Não era a primeira vez que ele lhe dizia algo romântico, mas algo em seu tom estava diferente e a deixou um pouco sem graça. Ela sorriu timidamente e virou-se para a pia novamente, fingindo que ainda havia algo para ser arrumado ali:

-Ah, Draco, para! ― Disse, baixinho.

-É verdade! ― Ele respondeu surpreso. ― Ficar aqui sem você estava muito chato. É bom te ver aqui, te tocar, fazer amor...

Astoria o encarou sorrindo, foi para perto dele lentamente e envolveu-lhe o pescoço com seus braços, enquanto seus rostos se aproximavam. Ele ficou parado, esperando o que ela ia fazer. Ela sussurrou: "Eu te amo", e o beijou com doçura.

Ele enlaçou sua cintura, puxando-a para si. Ela sentou-se no colo dele, prendendo as pernas em sua cintura, e ele a segurava com firmeza sem parar de beijá-la.

Permaneceram naquele beijo por vários minutos. De repente pararam, se olharam e naquele instante algo mudou. A doçura do beijo deu lugar a um desejo ardente, e eles retomaram o beijo com uma paixão e intensidade mil vezes maiores. Logo seus corpos se procuravam e pediam mais, Astoria já sentia a excitação de Draco aumentando, assim como a sua já estava incontrolável.

Ela fez menção de se levantar, seu desejo de levar os lábios àquela parte tão íntima de Draco era enorme, mas ele fez com que ela continuasse em seu colo beijando-o. Lentamente ele tirou uma das mãos da cintura dela e tentou puxar a lingerie que ela usava. Ela ajudou com uma de suas mãos, enquanto a outra a ajudava a se manter no colo dele.

Com algum esforço conseguiram livrar-se da peça de roupa. Então Astoria despiu lentamente o robe de Draco, fazendo com que ele ficasse caído na cadeira. Enfim livres das roupas, exceto da camisa dele no corpo dela, e sem pararem de se beijar, Astoria cavalgou o colo dele até que seus corpos se encaixassem delicadamente, sedutoramente.

Ela se moveu sobre ele lentamente, aprofundando-o em seu corpo. Seus lábios não desgrudavam nem por um segundo. Passados alguns instantes daquela coreografia sensual, os gemidos dele começaram a se intensificar e os dela o acompanharam. O beijo era uma mistura de beijos, gritos contidos, gemidos. Ela tentou atirar a cabeça para trás, louca de prazer, mas ele a manteve colada em seus lábios, como se fossem morrer se ficassem separados.

Finalmente os dois começaram a sentir o prazer mais intenso, enquanto suas bocas se devoravam. Astoria o abraçou com força enquanto fazia um último movimento forte com seus quadris e Draco a apertou contra seu corpo enquanto desabava encostado à parede. Enfim pararam de se beijar e repousaram a cabeça no ombro um do outro, arquejando, saboreando aquele momento, como se o universo estivesse suspenso para contemplá-los.

-Estávamos mesmo com saudades. ― Murmurou Astoria após alguns minutos, sentindo-se fraca, porém realizada.

-Eu nem imaginava o quanto. ― Respondeu Draco, com os olhos semicerrados, como se estivesse despertando de um sonho incrível.

Seus lábios se encontraram outra vez. Ficaram vários minutos saboreando aquele beijo, ora parecendo que por fim se afastariam, ora aprofundando-o ainda mais.

Juntaram as testas e ficaram se olhando e sentindo o que para Draco era novidade, mas para Astoria já era rotina: amor. Simplesmente amor, em sua forma mais sincera e sublime. E toda a felicidade por estarem juntos outra vez.

-Vou precisar de outro banho. Você vem?

-Não, por Merlin! Preciso descansar. Vá, eu vou depois de você.

Astoria saiu do colo de Draco delicadamente, lançou-lhe um sorriso e foi tomar outro banho. Resgatou um hidratante e uma lingerie limpa em sua bagagem e vestiu novamente a camisa do marido. Penteou-se e prendeu os cabelos em um coque malfeito no alto da cabeça.

Ouviu Draco entrar no banheiro alguns minutos depois. Foi até a porta do banheiro e espiou o marido tomando banho.

-Olá querida! ― Ele cantarolou sob a água.

-Amor, você se importaria se eu não fosse ao escritório com você hoje? Adoraria que passássemos o dia juntos, mas preciso descansar do voo e arrumar minhas coisas.

-Descansar do voo, heim? ― Comentou Draco, maldoso.

-Sim senhor, descansar do voo. ― Ela respondeu meio debochada. ― E de todo o resto.

Ele riu sob a água.

-Tudo bem se você prefere assim, mas vamos ter que comprar alguma coisa para você almoçar. À noite saímos para jantar.

-Não precisa, querido. Posso comprar alguma coisa e fazer um jantar para nós.

Draco a olhou meio desconfiado.

-É melhor sairmos para comer alguma coisa.

Astoria riu, divertida:

-Qual é o problema, Draco? Está duvidando de minhas habilidades? Eu sei cozinhar, está bem?

-Você? ― Ele indagou incrédulo. ― Nunca vi você fazer nada que não fosse chá.

Ela cruzou os braços fingindo-se ultrajada:

-Mas que absurdo! Duvidando de minhas habilidades! Pois vou lhe mostrar que sou boa no fogão.

Draco riu novamente.

-Em todo caso, acho melhor trazer uma daquelas pizzas trouxas hoje à noite.

Astoria riu e tentou acertá-lo com a toalha. Ele se protegeu e pediu desculpas, gargalhando. Por fim pegou a toalha e começou a se enxugar.

-Querida, pode pegar uma cueca para mim?

-Claro. Qualquer uma?

-Qualquer uma box. Se puder pegar também um blazer, calça e uma camisa, te agradeço. Está tudo nos cabides.

-Está bem. Posso escolher?

-Sim, é claro.

Astoria abriu o armário e viu as roupas de Draco muito bem passadas e arrumadas em cabides. Pegou uma calça preta e um blazer grafite e uma camisa azul. Por fim abriu uma gaveta em busca das roupas íntimas do marido. Não achou nada na primeira, que continha pijamas, então abriu a segunda, que continha algumas meias e toalhas. Na terceira, por fim, encontrou as cuecas. Como tinha pegado uma calça preta, procurou uma peça preta também ― coisa de mulher, observar essas combinações, pensou. Mas ao remexer a gaveta, não encontrou apenas o que estava procurando.

Tateando a gaveta, encontrou vários pacotinhos quadrados, com um conteúdo circular em seu interior.

Ela nunca tinha usado aquilo, mas sabia bem o que era. E, mais ainda, entendia exatamente o significado daqueles objetos ali, na gaveta de seu marido.
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