Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
19 - Ataque

Na manhã seguinte, Astoria não quis ver Draco pela manhã. Ao despertar e ouvir os ruídos dele pela casa, encolheu-se sob o edredom e fingiu que ainda dormia.

Pôde sentir o olhar do marido sobre ela, quando ele se aproximou da porta e a observou por alguns minutos. Logo depois, ouviu-o sair.

Astoria aguardou alguns minutos, para certificar-se de que ele não voltaria. Quando se convenceu de que poderia sair sem vê-lo, levantou-se da cama sem muita disposição. Espreguiçou-se, passou as mãos pelos cabelos e se arrumou para tomar o café da manhã.

Ao chegar à cozinha, viu que Draco deixara uma rosa e um bilhete para ela. Perguntando-se como ele conseguira a rosa, abriu o pequeno pedaço de papel e leu: "Perdoe-me", ele escrevera simplesmente.

"Típico", pensou ela. "Faz uma bobagem e acha que pode consertar tudo com palavras e uma florzinha. Vou dizer a ele onde enfiar esta flor", pensou, zangada. Mesmo assim, pegou a rosa e a colocou em um copo com água.

Passou o dia montando joias com o material que trouxera de casa. Após preparar pulseiras e colares, fez alguns contatos com joalheiros locais, a fim de negociar suas peças. Juntar dinheiro era fundamental para seus planos imediatos, caso ela tivesse coragem de colocá-los em prática. Ficou feliz ao conseguir marcar reuniões onde apresentaria seu material, e pela empolgação dos comerciantes com quem tratou, imaginou que obteria sucesso nas vendas.

À noite, preparou um jantar simples e foi deitar-se mais cedo, a fim de evitar a presença do esposo. Conseguiu. Quando Draco chegou, ela já estava envolvida em um sono profundo.

No dia seguinte, ao chegar à cozinha, viu que Draco deixara mais uma tentativa de reconciliação: um alfajor. Ele sabia que a esposa era louca pelo tradicional doce argentino. Astoria riu, incrédula. "Ele realmente acha que vai me comprar com um doce? Que cretino!" Mesmo assim, comeu o doce.

Passou o dia inteiro refletindo sobre seu casamento. Sabia que não poderia ignorar Draco para sempre, tampouco fugir dele. Entre um espanar de móveis e um arrumar de almofadas no sofá, estava colocando na balança os prós e contras daquela relação e questionando se valeria a pena prosseguir com ela. Se fosse pelo amor que sentia, a resposta seria sim. Porém, se levasse em consideração o respeito e o carinho de Draco por ela, a resposta seria não. Era difícil concluir, e ela sabia que precisaria de muita coragem para dar uma reviravolta em sua própria história. Ao observar a casa e a presença de Draco mesmo quando estava ausente fisicamente, fosse em seu cheiro, em seus objetos e marcas pessoais, percebia o quanto sentiria sua falta se o deixasse, mas estava disposta a isso, mesmo que um pouco de sofrimento fosse necessário para dar um basta às humilhações que frequentemente sofria.

No terceiro dia, Draco resolveu esperar um pouco mais para sair, na esperança de conseguir falar com a esposa. Astoria pôde sentir seu olhar, quando ele a observava à porta, achando que ela dormia. Ela decidiu ficar ali e fingir que dormia. Ainda não queria falar com ele.

Draco, então, aproximou-se. Acreditando que ela dormia, acariciou-lhe os cabelos com leveza. Depois, passou a mão por seu rosto, bem levemente. Astoria ouviu-o soltar um forte suspiro, depois ele levantou-se e saiu.

Quando ela enfim levantou-se, encontrou um bilhete de Draco em cima da mesa da cozinha:

"Querida,

Sei que está muito magoada, porém, precisamos conversar. Por favor, pare de me evitar e vamos resolver nossos problemas, como sempre resolvemos.

Estou sentindo sua falta.

Por favor, me perdoe."

Astoria ficou olhando o bilhete por alguns instantes. Em anos de casamento, era a primeira vez que ele lhe escrevia um bilhete. Astoria não pôde deixar de pensar que tal ato significava que o desprezo que ela estava lhe dando estava, de algum modo, mexendo com ele.

Sentindo angústia, ela engoliu em seco. Releu o bilhete duas vezes. Depois, amassou-o e jogou-o no lixo.

À noite, Astoria estava amarrando os cadarços de seus tênis quando ele entrou em casa.

Ela vestia uma calça de ginástica e um blusão, e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo. Ela terminou de amarrar o calçado e começou a fazer alguns movimentos para aquecer os músculos.

Draco a observou por alguns instantes. Então perguntou, apesar de a resposta ser óbvia:

-Onde você vai?

Sem encará-lo, ela respondeu:

-Correr.

-A esta hora? Está muito tarde, e além disso, está frio. A rua está deserta. Por que não deixa para amanhã?

-Porque quero ir hoje. ― Ela respondeu secamente.

-Então me espere, vou acompanhá-la. ― Ele disse, dirigindo-se ao sofá para colocar ali sua pasta de trabalho. Enquanto fazia isso, Astoria saiu, como se não o tivesse ouvido, e Draco ficou encarando a porta com um olhar ultrajado.

O vento frio cortava-lhe a face e lhe dava uma gloriosa sensação de liberdade. Correndo em um parque, Astoria distraía a mente dos problemas recentes e tratava de recuperar a boa forma, embora naquele momento seu maior incentivo fosse realmente ficar longe de Draco e suas grosserias.

Seu corpo, naturalmente esbelto, já estava quase livre dos quilos a mais, devido a seu esforço e disciplina. A necessidade de distrair-se agora aliava-se à de voltar ao seu peso ideal.

Já tinha dado cinco voltas caminhando pelo parque, mais duas correndo. Parou para se alongar. Percebeu que o parque estava deserto e que as poucas pessoas que caminhavam junto com ela já haviam se afastado. "Draco tinha razão, a rua está deserta", pensou. Ainda assim, insistiu em dar a terceira e última volta.

Ao terminar, esticou os braços para o alto e puxou uma das pernas para trás, alongando-se. Depois, girou o tronco, continuando o alongamento. Ao fazer isso, olhou para trás. Nesse momento, percebeu um movimento próximo a uma árvore, localizada em um local mais escuro, a alguns metros de distância.

Astoria assustou-se. Poderia ser algum cachorro ou outro animal, mas também poderia ser algum assaltante ou algo assim. Tateou a cintura instintivamente, em busca de sua varinha, mas constatou que a esquecera em casa. "Melhor eu ir embora logo", pensou ela, andando depressa em direção à saída do parque.

"Está realmente frio", ela constatou ao sentir o calor ocasionado pelos exercícios esvaindo-se. Sentiu um arrepio, e não sabia se era o frio ou o receio causado pela sensação de estar sendo observada. Apesar de não ter visto realmente nada assustador, sentia-se indefesa sem sua varinha. Apressou-se em direção ao prédio, querendo se livrar daquela sensação de estar exposta.

Entrou no apartamento, ainda incomodada, e foi direto à cozinha. Abriu a geladeira e serviu-se de um copo d'água, que começou a beber ainda com a porta aberta. Abaixou-se para vasculhar a geladeira em busca de uma fruta, mas na verdade, estava sem fome-só queria algo para lhe aplacar o nervosismo. Então, levantou-se. Foi então que deu de cara com Draco, parado do outro lado da porta da geladeira.

Astoria deu um grito de susto, deixando o copo cair e se espatifar no chão. Draco saiu de onde estava, indo ajudá-la para que ela não se cortasse. Zangada, ela disse:

-Pombas, Draco! Por que você tem essa mania de andar sorrateiramente?

Irritada, ela foi buscar um pano e uma vassoura para limpar os cacos de vidro. Draco a observava. Ao ver o que ela pretendia fazer, pegou a varinha e rapidamente lançou um feitiço sobre os cacos, que desapareceram. Astoria lançou-lhe um breve olhar, agradecida. Sua irritação diminuiu um pouco. Draco, no entanto, pareceu aborrecido:

-Parece-me que você está esquecendo que é uma bruxa. ― Declarou ele, reprovando a ação dela que, novamente irritada, respondeu:

-Não esqueci, não. Apenas acho que não preciso pegar a varinha para tudo.

-Concordo. ― Assentiu ele. ― Porém, não vejo sentido em deixar de usar a magia para se livrar de um trabalho desagradável.

Astoria lançou-lhe um olhar aborrecido e pegou outro copo. Enquanto bebia, Draco a observava atentamente.

-O que houve?

-Nada. ― Respondeu ela, pouco convincente.

-Você está tremendo. ― Contestou Draco. ― E parece ainda mais pálida do que de costume. Aconteceu alguma coisa enquanto você estava na rua?

-Não! ― Ela respondeu com irritação. - Só estou cansada.

Draco não se convenceu, mas resolveu não insistir. Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, porém, Astoria interpelou-o:

-O que você queria, me espiando por trás da porta da geladeira?

Draco ergueu as sobrancelhas. Depois suspirou e respondeu:

-Caso não tenha notado, já estamos sem nos falar há alguns dias. Não gosto disso. Precisamos nos entender.

-Sei. ―Astoria respondeu, um pouco irônica. ― E que sugestão você me dá?

Draco a encarou espantado, como se o que ela estava dizendo não fizesse sentido algum.

-Quero pedir desculpas. ― Disse ele. ― Sei que fui um completo babaca. Você preparou tudo com o maior carinho para o meu aniversário, e estraguei tudo.

Astoria fitou Draco. Seu rosto tinha uma expressão pensativa, reflexiva, como se ela estivesse pesando as atitudes de Draco no dia da briga e o pedido de desculpas.

-Você me pede desculpas. E o que vem depois, Draco? Depois você me enche de presentes, me procura pra transar, fica dócil por algumas semanas... Até que, do nada, você resolve me acusar de estar trepando com outro, me xinga, me magoa. Então, vê que errou, pede desculpas, e o ciclo recomeça. Não é assim? Não é esse o seu roteiro?

Draco desviou os olhos do olhar dela, constrangido.

-Você fala como se eu fizesse de propósito. Eu sei que exagerei, mas pombas, você estava no carro de um estranho! O que eu ia pensar?

-Se pensasse coisas boas a meu respeito ― retorquiu ela ― sua primeira opção não seria me tratar como uma vadia.

Draco bufou, zangado.

-Eu já reconheci o meu erro e já pedi desculpas! O que mais você quer?

Ela riu, sarcástica.

-É claro. Bastam meia dúzia de palavras, e todo o mal está desfeito.

-Ótimo! ― explodiu Draco. ― Ótimo, então vamos ficar dentro deste apartamento como se fôssemos dois estranhos, um evitando o outro, sem trocar uma palavra. É o que você quer, não é? Então, que assim seja!

-Não se preocupe! ― Ela gritou. ― Eu vou voltar para a Inglaterra o mais rápido possível!

Astoria mal tinha terminado de pronunciar aquelas palavras, quando ouviu sua própria voz repreendendo-a em sua mente: "Sua louca! O que é que você está dizendo?"

Enquanto isso, o rosto de Draco assumia uma expressão apavorada. Ele, que já era bem pálido, pareceu ainda mais branco do que já era. Estava claro que aquela declaração era a última coisa que ele esperava ouvir.

-Voltar para a Inglaterra? ― ele repetiu, parecendo atordoado.

Ao perceber o efeito que suas palavras tinham provocado no marido, ela resolveu manter o que tinha dito, para não parecer fraca.

-É isso mesmo. Você não parece prezar muito pela minha presença, então, de que adianta eu ficar aqui? Vou voltar para casa, e enquanto eu estiver lá e você aqui, a gente pensa e vê se realmente vai querer manter este casamento.

Draco, ao ouvi-la,pareceu desconsolado. Porém, limitou-se a dizer: "Tudo bem, se é assim que você quer.".

Os dois se encararam por um instante. Então, Astoria pôs na pia o copo em que bebera água e saiu da cozinha.

Antes de dormir, ela viu Draco sentado no sofá, examinando seus papeis do trabalho com uma expressão angustiada. Ela teve um desejo inconsciente de aproximar-se e confortá-lo, mas conseguiu reprimir e foi se preparar para uma boa noite de sono.

O sono não chegou com a profundidade que Astoria desejava. Ela acordou no início da madrugada, sentindo-se cansada e chateada pela conversa com Draco.

Levantou-se lentamente e se arrastou até a porta, indo em direção ao banheiro. Imaginou que o marido estivesse dormindo no sofá, mas quando abriu a porta do quarto, ouviu a voz dele.

"...Vocês têm que fazer alguma coisa para achá-lo! Eu estou resolvendo todas as bobagens que vocês fizeram, só quero que encontrem o safado do Donovan, e nem isso vocês podem fazer?"

"Calma,cara! Estou correndo atrás, já temos pistas!" ― Era a voz de Blaise Zabini.

"Pistas! Estou há meses ouvindo essa balela, e não acontece nada!"

"Estou fazendo o máximo que posso, Malfoy, mas não posso fazer milagres!"

"É muito fácil para você, ficar aí falando!" , Draco disse, alterando um pouco o tom de voz. "Eu nem preciso trabalhar para ter dinheiro, entrei nesta droga de sociedade mais para me distrair e olha só no que me meti! Minha família com bens bloqueados, eu aqui neste lugar de merda e minha mulher querendo me deixar!"

"Ah!", exclamou Zabini, tomado por uma repentina compreensão. "Então é essa a razão de seu destempero: uma briga de casal."

"Não brinque com coisa séria!", Draco exclamou, nervoso. Depois, respirou fundo e continuou: "Ela disse hoje que vai voltar para casa, e levantou a possibilidade de nos separarmos. Já tivemos vários desentendimentos e ela nunca cogitou isso antes. É claro que está incomodada com esta situação."

"Draco", disse Zabini. Astoria não podia vê-lo pelo espelho através do qual se comunicava com seu marido, portanto não o via com as mãos no rosto, em busca de paciência. "Astoria ama você. Ela não vai te deixar por conta de uma crise econômica.".

"Isto é o que você pensa", rebateu Draco. "Ela casou com um homem rico, para ser tratada como uma dama. Agora, se preocupa com as contas do mês, varre chão e lava louça. Que mulher pode suportar uma mudança destas?"

Astoria sentiu suas orelhas esquentarem ao ouvir aquilo. O que Draco estava pensando era aviltante! Após tanto tempo casados, ele ainda achava que dinheiro era tudo o que a fazia estar a seu lado? Saber que ele pensava assim a deixou profundamente ofendida.

"É sério,cara." A voz de Draco agora tinha um tom angustiado. "Eu não aguento mais esta merda toda, e nem ela. Você precisa achar Donovan logo. Eu preciso voltar para casa."

"Acalme-se,Draco." Zabini respondeu, tentando amenizar a conversa. "Vou continuar as buscas, já temos um bom palpite do paradeiro dele. Logo tudo isso vai terminar. Não perca a cabeça só porque brigou com sua mulher."

Astoria ouviu uma coisa que a surpreendeu. De fato, quando teve certeza do que ouvia, chegou a ficar assustada. Não havia dúvidas: eram os sons de um fungado e um soluçar de tristeza: Draco estava chorando.

Não era a primeira vez que ele demonstrava fragilidade, e naquele momento, Astoria não tinha certeza se aquilo era pela questão financeira envolvendo a empresa ou se pela ameaça dela deixá-lo. A dúvida dissipou-se quando ele falou novamente:

"Eu não quero perdê-la,Blaise. Gosto demais de Astoria, não consigo imaginar minha vida sem ela ao meu lado. Se eu não resolver logo isso, ela não vai agüentar por muito tempo. Não quero que ela me deixe. Não vou suportar isso!"

Enquanto Blaise tentava acalmar Draco, o coração de Astoria disparava. Ouvir aquelas palavras foi como ouvir a declaração de amor que ela tanto esperava e ele não fazia.

Ela esperou o fim da conversa, para que o marido não desconfiasse que ela tinha entreouvido, e depois foi rapidamente ao banheiro. Depois, deitou-se novamente e se enroscou na cama, refletindo sobre o que ouviu e tomando uma decisão: convesaria com Draco, iria colocar os pingos nos is e lhe daria outra oportunidade para se retratar. Sabia que estaria demonstrando fraqueza, mas mesmo assim, apostou suas fichas em uma reconciliação e suas esperanças em uma mudança no caráter de Draco.

Ao acordar pela manhã, Astoria não encontrou Draco. Ao verificar o relógio, notou que dormira demais. Chateada, planejou a conversa para a hora do jantar e foi tratar de suas próprias coisas.

Apesar das desavenças com Draco, ela estava feliz: conseguira vender alguns de seus projetos para joalheiros argentinos, além de negociar por um bom preço peças cuja montagem ela concluíra recentemente. Com seus croquis e um estojo repleto de joias, ela saiu para fechar o negócio.

Horas mais tarde, ela caminhava pelas ruas com a bolsa recheada de dinheiro. Estava exultante por conseguir tanto lucro. Guardaria parte do dinheiro e usaria um pouco para ir às comprar pois, decididamente, estava precisando.

Acostumada a andar em segurança no mundo bruxo, Astoria imprudentemente carregava sua bolsa preciosa sem se preocupar em ser roubada. Estava tranquila, sem sequer considerar que poderia perder o lucro de tanto trabalho de um minuto para outro. Tal preocupação só lhe ocorreu quando ela se deu conta de que seu senso de direção a traíra mais uma vez ― o que lhe acontecia frequentemente na Argentina ― e ela estava perdida. "Céus!", pensou ela. "Como vim parar aqui? Tenho certeza de que fui andando pelo lado certo!"

Ela parou e olhou ao redor, tentando situar-se. Não tinha a menor idéia de onde estava. Começou a ficar tensa e foi caminhando por uma rua comprida e deserta, na esperança de encontrar um táxi.

A rua tinha vários estabelecimentos comerciais fechados àquela hora. A maioria tinha aparência de bares e pubs. Um homem passou de bicicleta e a observou atentamente, o que a deixou assustada e ainda mais tensa. Decidiu, então, procurar um lugar escondido e aparatar.

Já tinha caminhado boa distância, quando ouviu passos lentos vindo de trás de si. Disfarçadamente, olhou por sobre o ombro para ver quem vinha. Não viu ninguém.

Voltou a caminhar. Logo depois, tornou a ouvir os passos. Mais uma vez, virou-se para ver quem era. E mais uma vez, não viu ninguém.

Quando, pela terceira vez, ela olhou e não havia ninguém, ela teve certeza de que alguém a seguia. Começou a andar ainda mais rápido, e agora, decidida a aparatar mesmo que alguém estivesse olhando. Enfiou a mão na bolsa, procurando a varinha, mas logo se deu conta do erro fatal: estava sem ela.

Completamente amedrontada, Astoria passou a andar tão depressa que estava praticamente correndo. Foi então que ouviu uma risada de escárnio. Quem quer que a estivesse seguindo estava se divertindo com aquilo e achando graça em apavorá-la.

Desesperada para se livrar do estranho, ela avistou uma rua transversal: havia um muro comprido e alto que chegava até a esquina, e do outro lado da rua, um prédio que lembrava uma casa de shows ou um bar sofisticado. Astoria planejou alcançar a rua, entrar nela e correr o máximo que conseguisse, em busca de um táxi, ônibus ou qualquer outra coisa.

Seguiu o mais depressa que pôde, alcançando o muro. Estava quase correndo ao passar por ele, ouvindo ao longe o riso de seu perseguidor. Quando estava bem próxima da esquina, começou a correr, enfim alcançando a rua.

Ao entrar correndo naquele local desconhecido, um choque espalhou-se por seu corpo.

Não era uma rua. Não havia possibilidade de escapar por ali. O que ela pensara ser uma rua era, na verdade, um beco sem saída. Havia apenas o prédio que ela vira na esquina, e um terreno, por trás do muro pelo qual ela passara. Em frente a ela, um muro alto, que ela encarava com desespero. Não havia como fugir sem correr o risco de passar por seu perseguidor, cujos passos ela já ouvia, bem próximo.

Astoria pegou seu espelho de dois sentidos na bolsa, olhou para ele, e com voz chorosa disse o primeiro nome do qual lembrou: "Draco!"

Antes que ele respondesse, porém, ela ouviu bem perto atrás de si aquela risada ― e agora ela lhe soou estranhamente familiar. Logo depois, uma voz conhecida e irritante se dirigiu a ela:

-Oi, inglesinha.
Comentários
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  • 20/03/2014 17:07:43 Imagem de usuário genérica :

    Continua

  • 09/02/2014 11:48:01 Imagem de usuário genérica :

    POR FAVOR CONTINUA


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