Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
2 - Entrega

Astoria observava pela parede de vidro sua festa de casamento acontecendo. Após inúmeros cumprimentos e sorrisos ao lado do marido, conseguiu escapulir com um prato cheio dos quitutes finos servidos aos convidados e se refugiar na sala reservada aos noivos.
Lá estava ele. Seu marido. Flanando entre os convidados, parecendo feliz. Seria real aquela aparente felicidade? Se não fosse, ele era um excelente ator. Conversava com os amigos animadamente, e eles o felicitavam naqueles modos tipicamente masculinos. Astoria estava feliz por ele não ter notado ainda sua ausência. Precisava de alguns minutos sozinha, para pôr as ideias em ordem.
-Desse jeito, estará enorme de gorda em um mês. E vai ficar sozinha em casa, afinal, Malfoy não se casou com uma desleixada.
Astoria assustou-se. Quem falava era a encarregada de orientá-la nos primeiros passos da vida de casada. Uma espécie de dama de companhia. "Coisa de velhas", pensava ela. Olhou um pouco irritada pelo susto para a senhora e respondeu em tom petulante:
-Só estou tentando aproveitar um pouco a minha própria festa. Será que não posso? Ninguém me avisou que Draco queria uma esposa anoréxica.
A mulher ergueu as sombrancelhas e disse:
-Perdão, senhora. Não queria incomodá-la. Só estou cumprindo o meu papel.
E era verdade, afinal. Aquele papel cafona que ela estava cumprindo não era nada além de sua obrigação. Astoria sentiu-se envergonhada por ter respondido grosseiramente e tentou amenizar a situação.
-Como é mesmo o seu nome?
-Meg.
-Okay,Meg. Desculpe-me. Estou um pouco nervosa. Muitas emoções para um só dia, compreende?
-É claro que sim, madame. Mas tente se acalmar. Hoje é o seu dia e precisa ser inesquecível.
Astoria sorriu e olhou novamente pela parede de vidro, a tempo de notar Draco falando com sua irmã. Aparentemente, queria saber seu paradeiro, pois logo após ouvir uma resposta, dirigiu-se à escada que dava acesso à sala reservada.
Astoria apertou os lábios e suspirou. Era esquisito. Estava casada com aquele homem, mas ele era como um estranho. E ela nem sabia direito o que falar com ele.
Até aquele momento, não haviam desfrutado de nenhum instante de maior intimidade. Um ou outro beijo, mas nada muito quente. Abraços comportados, mais fraternais do que românticos. Poucas conversas, basicamente sobre o que ela gostava ou o que fazia nas horas vagas. Só se conheceriam mesmo na lua de mel.
Draco entrou na sala, e ao vê-la, sorriu. Astoria sorriu de volta. Draco ignorou Meg e dirigiu-se à esposa.
-O que faz aqui? Está cansada? Ou não está gostando da festa?
-Cansada. Só um pouco. O vestido é pesado. ― Ela respondeu, de modo meigo.
-Quer ir embora? Se quiser, podemos sair agora.
-Não ― ela respondeu, apressadamente. Depois, prosseguiu com mais calma. ― Ainda não. A festa está linda. Quero ficar um pouco mais. Uma hora, talvez. Depois, poderemos ir.
-Como quiser, meu bem. ―Ele pareceu um tanto contrariado. Mas antes de sair, olhou para Astoria, examinando seu rosto atentamente, e passou um dedo por seu rosto, seguindo seus traços. Parou no queixo e ergueu o rosto da esposa. ― Você é linda, sabia? ― E aproximou seus rostos, beijando-a.
E não houve como não notar a diferença entre aquele beijo e os outros que haviam trocado. Os lábios de Draco exploraram os seus com sofreguidão, e sua mão mostrou-se atrevida, tentando sentir um pouco mais do corpo dentro daquele magnífico vestido. Astoria pela primeira vez ficou sem ar e acalorada após um beijo de Draco. De algum modo, sentiu-se como se ele estivesse tomando posse de seu corpo.
Beijaram-se por uns dois ou três minutos. Então, Draco soltou-a, e ela baixou os olhos, encabulada, mas contente.
-Uau. ―Comentou, simplesmente.
Draco lançou-lhe um olhar sensual, deu-lhe um beijo de leve e levantou-se.
-Quando estiver mais disposta, desça. Vamos dar um pouco mais de atenção aos convidados antes de ir embora.
Ela concordou com a cabeça e o observou partir, um pouco espantada com o que tinha acabado de acontecer.
-Ponto para você- disse Meg, assustando Astoria novamente. A jovem tinha esquecido completamente a presença da criada no ambiente, e corou constrangida ao perceber que ela tinha presenciado a cena que acabara de acontecer.
-Por quê?
-Seu marido está louco para sair daqui com você. Está transbordando de desejo e mal pode esperar para que estejam a sós.
Astoria sorriu, espantada.
-Como sabe disso? Ele não falou nada a respeito!
Meg encarou-a, com a expressão astuta de quem percebe coisas subentendidas.
-Ele não precisa falar. Basta ver o modo como ele olhou para você, como a tocou, o beijo. A disponibilidade de sair logo da festa com você. Certamente ele espera uma noite de núpcias muito empolgante.
-O que me deixa ainda mais nervosa.
-Por quê?
Astoria brincou com a renda em uma de suas luvas, reflexiva.
-O que posso fazer que ele ainda não conheça? Ele já teve tantas amantes quanto é possível, e eu...
-Você é a joia rara que ele encontrou e está louco para explorar ― disse Meg, num tom de quem compartilha uma informação de extrema importância. Astoria fitou-a, intrigada. Meg prosseguiu:
-Draco teve muitas amantes, sim. Mas não escolheu nenhuma delas para ser sua esposa. Escolheu a você, e não foi só por sua beleza e pelo seu nome. Ele valoriza sua virtude.
-Isso não vai durar muito, não é? Em poucas horas ele terá acabado com ela.
Ao dizer isso, uma espécie de pesar se abateu sobre Astoria. Era desagradável pensar que dividiria seu primeiro momento íntimo com um homem que ela sequer tinha escolhido.
-Não importa-prosseguiu Meg.- Para ele, o que importa é que será o primeiro. Ele se sentirá poderoso ensinando tudo a você.
-Eu não sei nem por onde começar. ― Comentou a jovem, imaginando-se nua no quarto, dançando e tentando parecer sensual, e pensando no quanto isso seria ridículo.
Meg sentou-se a seu lado.
-Fique tranqüila. Você já escolheu o que usar?
-Ainda não decidi. Tenho três lingeries na mala, uma é vermelha,a outra é preta e tem uma branca, mas não decidi qual delas usarei.
Meg pensou por alguns instantes.
-Se você fosse alguma das vadias com quem ele andava ―Astória arregalou os olhos e Meg percebeu a indelicadeza . ― Perdão, senhora. Eu quis dizer que, como o Sr. Malfoy a escolheu, não deve esperar que apareça como um furacão na noite de núpcias. Se tentar parecer ousada demais, perderá a naturalidade. Tente ser atraente sem perder sua identidade. Use a branca.
-E depois? Fico esperando ele me dizer o que fazer?
-Sim. Esteja atenta ao que ele disser ou insinuar. Só vocês saberão como agir. Mas preste atenção: não seja mimada na cama com seu marido.
-Como assim? ― Quanto mais Meg falava, mais Astoria ficava assustada. Tudo parecia mais simples quando sua irmã contava suas aventuras.
Meg olhou bem nos seus olhos:
-Faça tudo o que ele pedir. Ele vai detestar você se demonstrar incômodo ou nojo com os toques dele. Tente relaxar e satisfazê-lo. Elogie-o. E não reclame de absolutamente nada.
Astoria já estava achando aquilo muito injusto. Não escolhera o marido, quase não tinha controle sobre sua vida agora, e ainda tinha que ser um mero objeto para Draco? Sua vontade era sair dali e encontrar uma cama - mas para dormir.
-Mais uma coisa: Não ouse dormir até tarde. Acorde cedo, arrume-se e esteja linda quando ele despertar. E quando isso acontecer, sorria e reaja como se tivesse acabado de se aprontar para esperá-lo.
"Que coisa mais antiquada", pensou Astória. "Parece que estou no século XVIII.
Olhou mais uma vez pela parede e viu Draco subindo novamente vez. Percebeu que seu tempo na festa tinha acabado. Levantou-se para se ajeitar e descer, para despedir-se dos amigos e familiares.
Draco abriu a porta e ficou feliz ao vê-la sair. Segurou sua mão e ambos voltaram à festa, despediram-se discretamente e dirigiram-se a um carro, partindo para a lua-de-mel.
***
-Um carro? ― Espantou-se Astoria. ― Não sabia que você usava carros.
-Eu uso. Devidamente modificado para um bruxo, mas uso. ― Draco respondeu, com simplicidade. ― Robert, leve-nos ao local combinado.
-Não vamos passar a noite em casa antes de viajar? ― Perguntou Astoria, intrigada.
-Não. Eu não quis comentar porque não queria ninguém nos incomodando. Vou levá-la a outro lugar.

***
Chegaram a um prédio luxuoso, em uma parte nobre da cidade. Já era tarde e ninguém estava na rua. Draco saiu do carro, ajudou Astoria a desembarcar e dispensou o motorista, que foi embora com o carro. O casal entrou no prédio.
-Que lugar bonito - comentou a jovem. Draco sorriu, e conduziu-a ao elevador.
Ao chegarem à porta de um apartamento, Draco olhou-a com uma expressão duvidosa, enquanto abria a porta.
-Diz a tradição que o noivo deve carregar a noiva nos braços ao entrar em casa pela primeira vez. Aqui não será nossa casa, mas será o local onde passaremos nossa primeira noite, então...
Ele a tirou do chão, e ela ofegou e riu ao mesmo tempo.
Ao entrar, ela viu um apartamento amplo, muito limpo e arrumado. Perguntou-se de quem seria. E por que Draco resolveu passar a noite ali, em vez de seguirem para seu quarto na Mansão Malfoy.
Astoria deu-se conta de que estava sem sua mala. Como poderia se preparar para o marido? Enquanto pensava em como resolver o problema, Draco aproximou-se trazendo uma garrafa de champagne e duas taças.
Ela pegou uma das taças e Draco serviu-a. Depois serviu-se convidou-a a brindar.
-A nós. E à nossa felicidade eterna.
Brindaram e entrelaçaram os braços para beber. Quando terminaram, Draco mostrou rapidamente o apartamento a Astoria, até que foram parar no quarto. O coração dela palpitava com força.
Ele sentou-se na cama - uma cama enorme e luxuosa ― e ela fez o mesmo, ainda vestida de noiva.
-Eu quis trazer você aqui porque este lugar foi muito importante para mim. Era aqui que eu me encontrava com minhas amantes.
Astoria boquiabriu-se e, indignada, fez menção de sair da cama. Mas Draco segurou-a pelo pulso.
-Calma, deixe-me explicar. Calma! ― Acariciou o rosto dela, suavemente.
-Calma? Isto é muito ofensivo! Como você traz sua esposa para seu matadouro particular?― Ela respondeu, perdendo a pouca tranqüilidade de que dispunha.
-Calma- repetiu Draco. ― Vou explicar. Eu trouxe você aqui porque não quero lembrar desse lugar por causa das outras mulheres que tive.
Astoria engoliu em seco, sentindo raiva. Draco percebeu.
-Astoria, você sabe muito bem que não sou santo. Tive várias amantes sim, sabe disso. Mas foi você que escolhi para ser minha esposa. Você vale mais do que todas elas juntas. E por isso eu quero que nossa primeira noite seja aqui. Já vendi o apartamento e amanhã as chaves serão entregues ao novo dono. Quando eu pensar neste lugar a única coisa que quero lembrar é que foi onde fiz amor com minha esposa pela primeira vez.
A jovem ficou desconcertada e não sabia o que pensar. Apenas para não permanecer calada, disse:
-Mas tem um problema. Minha mala não veio. Como vou me arrumar para você?
Draco voltou-se para ela, observando-a, e mal contendo o desejo que estava começando a surgir.
-Você não poderia estar melhor. Está do jeito que eu sempre sonhei: vestida de noiva.
Ele levou a mão ao pescoço de Astoria, acariciando-a, e depois subiu, tirando com leveza a tiara e o véu. Soltou seus cabelos, brincando com as mechas douradas que agora caíam pelas costas da esposa. Então, tateou as costas dela, tentando abrir os botões do vestido. Astoria viu o sorriso em seu rosto ao perceber o peito dela subindo e descendo, a respiração acelerada.
-Eu sempre quis despir uma noiva - comentou ele, e a beijou, ainda desabotoando o vestido.
Após alguns minutos, todos os botões já estavam abertos, e Draco puxou o vestido lentamente. Astoria tentava lembrar as recomendações de Meg, mas nada do que tinha ouvido havia preparado-a para aquele momento.
Draco tirou os sapatos e meias da esposa, e todos os apetrechos que encontrou, deixando-a apenas com sua lingerie. Ainda vestido, fez com que ela se deitasse, e por cima dela, beijou-a mais uma vez. E suas mãos finalmente podiam percorrer o corpo dela, excitando-a, preparando-a para os instantes seguintes.
Astoria, por sua vez, começou a ajudá-lo a se despir logo que ele parou de beijá-la. Ele achou graça em seus modos desajeitados, e sem prolongar mais ainda a espera, enfiou-se sob os lençóis com a esposa, que sentiu as mãos dele tirando o que ainda a vestia.
Ela podia sentir os sinais da excitação que já dominava o corpo de Draco. Insegura, ficou tensa e parecia ter congelado. Draco notou.
-Está assustada? ― indagou.
-Um pouco. ―Ela respondeu com sinceridade.
Draco deu um sorriso condescendente.
-Então, vamos brincar um pouquinho antes de começar.
Astoria sorriu breve e timidamente, enquanto Draco se sentava. Então, ele a fez sentar-se também. Ela pôde ver que Draco já estava completamente excitado, e sentiu vontade de tocá-lo. Como se adivinhasse seus pensamentos, Draco pegou a mão dela e a colocou entre suas pernas.
-Primeira lição - Disse ele com a voz prejudicada pela respiração começando a ficar ofegante. ― aprender a brincar com ele.
Envolveu a mão de Astoria e começou a movimentá-la para cima e para baixo, experimentando o próprio prazer e notando que ela também estava cada vez mais excitada, mordendo os lábios e respirando cada vez mais depressa. Draco prosseguiu por alguns minutos, então beijou a esposa profundamente, suas línguas se enroscando de modo urgente e arrebatador, como nunca haviam se beijado, nem mesmo na festa de casamento.
Após o beijo, ele levou a boca ao seio dela e fez movimentos intensos que arrancaram dela os primeiros gemidos. Astoria fechou os olhos e sentiu toque dos lábios do marido, ardente e sensual, enquanto ele acariciava o outro lado com a mão, e assim ficaram por muito tempo.
Então Draco a fez se deitar outra vez e ficou por cima dela, beijando-a. E dos lábios passou para o seu pescoço, perto das orelhas, sentindo o corpo dela se contrair. Continuou beijando seu colo, seus seios, a barriga. Brincou levemente com o delicado umbigo. Seguiu a trilha abaixo dele até seus lábios tocarem a parte mais íntima da esposa.
Astoria jamais experimentara sensação semelhante. Seus gemidos se intensificaram e ela sussurrava o nome de Draco, dizia o quanto aquilo era bom, pedia para que ele continuasse. Se havia sensação melhor do que aquela, ela desconhecia.
Quando ele achou que já era o suficiente, afastou-se dela apenas o suficiente para limpar a boca e voltar a beijá-la. Ela estava mais leve, mais solta e muito mais atraente. Draco então levou sua mão à intimidade dela e a acariciou por mais alguns instantes, observando com prazer o corpo dela se contorcendo.
Finalmente ele deitou-se sobre ela. Com cuidado, fez com que ela se abrisse para lhe dar passagem. Ela atendeu sem pestanejar.
Passou rapidamente por sua cabeça o pensamento de que há poucas horas ela estava com medo de se entregar àquele homem, e agora estava completamente enlouquecida por ele. Mas em meio às carícias e ao prazer, ela soube o porquê da mudança: Uma vez que sua parte no contrato era dar a Draco sexo e herdeiros, ela simplesmente decidiu atender aos desejos do marido. Sendo assim, fechou os olhos e entregou-se por inteiro.
Astoria sentiu-o buscando a harmonia entre seus corpos, o calor que ele emanava e a respiração dele em seu rosto, enquanto seu coração batia com toda a força contra o peito dele.
-Serei gentil ― comentou, e a beijou, e ela sentiu o corpo dele entrando no seu lentamente, carinhosamente.
A jovem ofegou e seu rosto se contraiu. Draco percebeu que ela estava sentindo dor e parou. Antes de prosseguir, afagou os cabelos dela e perguntou:
-Você é mesmo virgem? Totalmente?
Astoria não gostou da pergunta e pensou que Draco tinha modos bem pouco ortodoxos para um marido na noite de núpcias.
-É claro que sou! Por acaso acha que eu menti?
-Não, não é isso. ―ele respondeu, rindo.
-Você está rindo de mim! ― Astoria disse, sentindo-se envergonhada.
-Não, não estou rindo de você. É que eu acho... bonitinho. Singelo. Fofo.
Suspirou profundamente.
-Quer que eu pare?
Ela balançou a cabeça lentamente, em sinal negativo, lembrando-se dos conselhos de Meg. Draco sorriu novamente e voltou a beijá-la no pescoço, enquanto dizia:
-Se você ficar calma, tudo fica mais fácil. Relaxe. Vai ser muito mais gostoso para nós dois. ― E ela sentiu novamente o corpo dele buscando o seu.
Nada que tinha pensado a respeito daquele momento tinha chegado perto da sensação que estava experimentando agora. Entre movimentos carinhosos e ritmados, a menina tornou-se mulher. Sentia o ir e vir do corpo dele no seu e aquilo a fazia sentir-se feliz e completa. Seus corpos se encaixavam em perfeita harmonia, como se tivessem sido desenhados para isso.
Apesar de saber que Draco não a amava, perceber que ele a desejava era o bastante para fazê-la feliz enquanto seus corpos se movimentavam. Logo sua boca deixava escapar gemidos mais ousados, sussurrava o nome de Draco, enquanto suas unhas arranhavam as costas dele, que intensificava os movimentos, levando-a a um mundo de prazer muito maior do que ela ousara imaginar.
Comentários
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  • 14/02/2012 03:21:50 Imagem de usuário genérica Ana V. PotterTernura:

    Eu adorei esse capitulo.Ele ta perfeito.Espero que continue


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