Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
6 - Zabini

Certa manhã, Astoria e Draco tomavam o café da manhã em um dia que começava frio, com a casa açoitada por uma ventania. Em meio ao tempo ruim, uma coruja surgiu e deixou cair uma carta em frente à mulher.
-Nossa! ― Espantou-se ela ao abrir o envelope. ― É de Eillen Carpenter!
-Quem é essa? ―Draco indagou, sem muito interesse.
-É uma grande amiga, entrou em Hogwarts um ano depois de mim. A última vez que a vi foi em nosso casamento, pois ela mora em Dublin.
Astoria examinou a carta e viu que além do pergaminho havia um outro envelope, fino e muito bem decorado.
-Minha nossa! Ela vai se casar! ― Astoria sorriu. ― Que bom! Ela sempre foi apaixonada por Paul. Deve estar exultante!
Astoria continuou lendo a carta e o convite de casamento recebidos. Então comentou:
-O casamento será na Irlanda, em um mês. Preciso providenciar um vestido. Como estará o tempo por lá? ― Ela comentava, empolgada. Enquanto isso, Draco pegou o convite e leu.
-Temos um problema. Neste dia não poderei me ausentar. Vamos receber um dos sócios da empresa justamente no final de semana do casamento e preciso ficar à disposição.
Astoria o fitou, decepcionada.
-Você não pode dar um jeito? Podemos voltar logo após a cerimônia! Pelo menos não ficamos tanto tempo longe, embora eu ache um desperdício. Poderíamos aproveitar a viagem e ficar juntinhos na Irlanda...
Draco a olhou, condescendente.
-Eu acharia ótimo, meu bem, mas realmente não tem como. Vamos enviar um bom presente e você explica tudo à sua amiga. Tenho certeza de que ela irá entender.
Astoria o fitou, confusa.
-Ora, Draco! Você não pode ir, mas eu posso! Inclusive posso ir um dia antes e conversar um pouco com Eillen, há tanto tempo não a vejo!
Draco a encarou sério:
-Você não vai.
Astoria devolveu o olhar, surpresa:
-Por que não?
Draco respondeu gesticulando, demonstrando que estava ficando nervoso:
-Porque não vou deixar minha mulher ir sozinha para outro país! Está louca ou o quê? Se eu não vou, você também não vai!
Astoria sentiu as lágrimas começarem a encher os seus olhos.
-Mas Draco, somos amigas há anos e ela veio para o nosso casamento! Eu não a vejo há quatro anos! Serão só dois ou três dias! Que mal pode haver?
-Você não vai! ― Draco gritou, impaciente. ―Não vai a lugar algum sem mim, está entendendo? E chega deste assunto!
Astoria não conseguiu conter as lágrimas e gritou, nervosa:
-Você não pode fazer isso comigo! Não é justo! Por que você não confia em mim?
-Confio em você. Não confio é nos outros.
-Draco, por favor! Estou suplicando!
-Minha resposta é não, e não estou aberto a discussões. Fui claro?
A mulher levantou-se da mesa com um urro inconformado.
-Seu idiota!
E subiu as escadas, indo de volta ao quarto.
Minutos depois, Draco entrou no quarto e encontrou Astoria encolhida sobre um puff e escondendo o rosto. Chorava muito. Ele se aproximou cautelosamente da esposa.
-Querida ― ele começou, tentando abraçá-la, mas ela afastou rudemente sua mão.
-Saia daqui!
-Meu bem, vamos conversar. ― Insistiu ele.
-Não quero conversar, não quero ouvir sua voz e nem olhar para a sua cara! Saia daqui! Me deixe em paz!
Por mais que gostasse de Astoria, Draco ainda não tinha aprendido a ouvir um não vindo dela ou a se sujeitar às suas vontades. Então, contrariado com a negativa dela em falar com ele, agarrou seus braços e a levantou violentamente do puff, encostando-a na parede.
-Pare com esse escândalo! Isso está insuportável!
Astoria o encarou com raiva, mas não disse nada. Ele então a tirou da parede e a conduziu de volta ao puff, onde ela enxugou precariamente os olhos, que já derramavam mais lágrimas.
-Me desculpe por isso ― começou Draco ― mas você não me deixou outra alternativa.
A jovem nada respondeu. Draco prosseguiu:
-Odeio quando você fica histérica desse jeito. Mas agora que está mais calma, deixe-me explicar.
-Não quero ouvir.
-Astoria, não comece.
-Ora, Draco, o que você vai dizer? Que é muito longe para eu ir sozinha? Que vou morrer de frio? Ou que vou ser atacada por todos os homens da festa? Ah não, já sei, você vai dizer que está tentando me proteger. Não precisa se dar o trabalho, já sei como isso vai terminar.
-Estou mesmo tentando protegê-la! ― Exclamou Draco. ― Já parou para pensar no que dirão ao vê-la chegando sozinha a um casamento em outro país?
-Pouco me importa o que diriam. Mas você não vai me deixar ir, vai? Então, não sei por que insistir no assunto.
Draco suspirou, olhando para o teto e tentando se controlar. Astoria então fez mais uma tentativa desesperada de convencer o marido:
-Somos amigas desde meninas, Draco. Ela veio ao nosso casamento, eu não há vejo há muito tempo! Nem preciso ficar para a festa, mas à cerimônia tenho que ir! Por favor!
O tom dele foi categórico ao dizer:
-Não. Definitivamente não.
Ele saiu do quarto e Astoria voltou a se enroscar no puff. Havia muito tempo que não se sentia tão infeliz. Naquele instante, sentia-se como um bicho de estimação preso numa gaiola de ouro da qual nunca poderia sair.
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As semanas passaram e logo a data do casamento da amiga de Astoria estava próxima. Ela não insistiu com Draco e ele não tocou mais no assunto, mas percebeu os sinais da chateação dela. Seu silêncio quando estavam juntos, sua dedicação excessiva ao trabalho e sua frieza ao fazer amor demonstravam que ela não havia superado a discussão.
Quando faltavam apenas dois dias para a data, Draco procurou Astoria para conversar.
-Astoria ― disse ele-o casamento da sua amiga é no sábado, certo?
-Sim. ― Ela respondeu sem emoção.
-Estive pensando. Acho que afinal não há nada de errado em você ir. ― ele disse de modo carinhoso.
Astoria olhou para Draco atentamente. Não era boba para acreditar num acesso de bondade do marido. Sabia muito bem o que ele queria: ao permitir que ela viajasse a apenas dois dias do evento, sabia que ela não conseguiria se preparar, talvez nem conseguisse uma passagem aérea e hospedagem. Sendo bruxa, não estava familiarizada com trâmites trouxas e haveria pouco tempo. Mas tendo ele dado autorização, certamente pensava que Astoria amoleceria o coração com relação a ele.
Ela percebeu a jogada, mas resolveu investir nela.
-Então você deixa? Mas que bom! Só que não sei se vai dar tempo. Vou tentar resolver tudo. Obrigada, querido!
Astoria correu até o quarto e pegou uma bolsa dentro do guarda-roupas. Dentro dela havia vários anúncios de companhias de viagens e catálogos com telefones e endereços de hotéis na Irlanda que ela havia juntado, com esperança de poder viajar na última hora. Colocou-os em outra bolsa e saiu do quarto. Ao passar por Draco, disse animada:
-Vou sair para comprar um vestido e sapatos. Quem sabe se vou conseguir, não é? Mas não custa tentar.
Saiu antes que desse tempo de Draco chamá-la de volta. Ele sorriu ao vê-la sair: sabia que Madame Malkin raramente tinha bons vestidos já prontos, e preparar um de um dia para outro era impossível. A viagem da esposa era quase impossível.
O que Draco não sabia é que Astoria não era tão ignorante quanto ele pensava com relação a conhecimentos trouxas. Enquanto ele pensava que ela estava no Beco Diagonal, ela estava em um shopping, ligando de uma cabine telefônica para um hotel e fazendo reserva para o dia seguinte. E minutos depois ela comprava a passagem: embarcaria na tarde do dia seguinte e retornaria no dia seguinte ao casamento. Feliz, visitou várias lojas até achar o vestido ideal. Em três horas, tudo estava resolvido.
Contente, sentou-se em uma lanchonete e saboreou um croissant de queijo e tomou um enorme copo de refrigerante. Há quanto tempo não se deliciava com aquelas gostosuras! Seu marido anti-trouxas não as deixaria entrar em casa. Astoria parecia uma criança.
Ao voltar para casa, tratou de controlar o entusiasmo, pois sabia que Draco poderia acabar com a alegria dela a qualquer momento. Ele a esperava surpreendentemente tranqüilo.
-E então, querida? Conseguiu achar alguma coisa?-Indagou, com fingida preocupação.
-Sim. ― Respondeu Astoria, casual. ―Consegui achar tudo.
Draco ofegou, mas disfarçou pigarreando. Controlando a voz para que não transparecesse sua contrariedade, prosseguiu:
-Tudo, é? Que bom. Vai mesmo à Irlanda, então?
-Sim! Veja ― ela começou a mostrar as coisas que tinha comprado. Começou pelo vestido, que poderia ser um motivo para Draco proibi-la de ir.
Draco observou o modelo atentamente. Astoria comentou:
-Não é justo no corpo e o decote é bem discreto. Comprimento abaixo dos joelhos e nenhuma transparência. Nada ousado. Do jeito que você gosta. Quer que eu vista para você ver?
-Não é necessário. ― Draco respondeu, ainda tentando conter a voz.
Astoria guardou o vestido. Depois, dirigiu-se a Draco, enlaçando sua cintura com um dos braços e com a outra mão acariciou seus cabelos.
-Deixei uma passagem reservada para você. Ainda dá tempo de você vir comigo. Reservei quarto de casal no hotel. Seria tão bom passarmos um final de semana juntinhos, só nós dois...
-Você sabe muito bem que não posso Astoria. ―Ele respondeu ríspido. ― Quando embarca?
-Amanhã à tarde.
-E quando volta?
-No dia seguinte ao casamento, ora! Você não quer que eu venha sozinha à noite, quer?
-Claro que não, mas espero que venha bem cedo.
-Virei, Draco. Embarcarei logo pela manhã.
No dia seguinte, Astoria mal acreditava que estava indo para o aeroporto. Draco a acompanhou, permanecendo calado por todo o percurso, e despediu-se dela com um beijo frio. A jovem só acreditou que estava a caminho do casamento da amiga quando o avião levantou vôo.
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Astoria participou alegremente da cerimônia, feliz em ver como sua amiga apreciou sua presença. Quando conseguiu se libertar dos outros convidados, Eileen chamou Astoria para um quarto reservado para conversar um pouco.
-Amiga, estou tão feliz por você ter vindo! E Draco? Por que não veio junto?
-Ele está enrolado com o trabalho. Não queria que eu viesse, é muito ciumento. Decidiu na última hora que eu poderia vir. É, amiga. Vida de casada não é fácil! ― Ela sorriu para a noiva.
-Não diga isso, Astoria. Você está tão linda e radiante que não pode negar que está feliz.
-Sim, estou muito feliz. Draco pode ter alguns defeitos, mas é um bom marido. E Paul? Finalmente conseguiu agarrá-lo, heim?
-Somos almas gêmeas! Mas tem um segredinho que ajudou-o a tomar a decisão. Ninguém sabe ainda.
Eileen levou a mão ao ventre. Astoria, surpresa, sorriu.
-Você está grávida?
-Sim! Dois meses. Preparamos o casamento em tempo recorde, porque eu não queria ter o bebê antes de casar. Em breve seremos uma família completa! E você, quando vai ter o seu?
Pega de surpresa, Astoria não conseguiu disfarçar o desapontamento com a pergunta. Triste, respondeu:
-Estamos tentando, mas não conseguimos. Acho que nunca conseguiremos ter.
-Oh Astoria! ―Eileen a abraçou. ―Não pense assim! Quando menos esperar, estará de barrigão.
Astoria sorriu, condescendente.
-Não se preocupe. Já estou bem tranqüila com isso. Se vier, será ótimo. Se não, estou pronta para aceitar. ― Mentiu.
Astoria e Eileen se abraçaram. ― Não fique triste, amiga. Logo logo você terá seu filhinho.

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Enquanto isso...
Em meio à fumaça artificial misturada à de inúmeros cigarros acesos e ao cheiro de bebida, dois homens de boa aparência sentados à uma mesa observavam o número de dança da stripper.
Ela fazia estripulias em um poste fino colocado no meio do palco e os encarava com sensualidade, certamente esperando que um dos dois ― ou quem sabe ambos ― lhe garantisse uma boa noite de lucro.
Mas apesar de ambos estarem atentos ao número, nenhum dos dois parecia interessado em algo mais do que observar.
-Não entendo por que você quis vir aqui, Draco.
Sem tirar os olhos da morena, que agora rebolava usando apenas uma diminuta calcinha, Draco respondeu:
-Minha mulher viajou.
-Ah é? ― espantou-se Theodore Nott. ― E vai ficar muito tempo fora?
-Não. Amanhã ela volta.
Theodore o encarou incrédulo.
-Chama isso de viagem? Foi só um passeio de nada!
-Pode ser ― interveio Draco ― mas o fato é que ela passará um bom tempo longe de mim.
-E daí?
-E daí que uma hora dessas ela pode estar gemendo embaixo de outro homem! ― Draco rosnou.
Theodore riu impiedosamente.
-Você está ficando é doido. Acha mesmo que sua mulher é tão burra de te trair assim, numa oportunidade óbvia?
-Não sei. Ela é mulher, não é? Se cismar de aprontar, vai dar um jeito.
-E onde as gostosas entram nessa história? ― indagou Theodore, apontando para o palco, onde a mulher já estava completamente nua e exibindo uma performance tão explícita que os outros homens urravam ao assisti-la.
-Bem, para parar de pensar numa mulher, nada melhor do que se distrair com outra, não é?
-Ora ora, se não é o Draco que não queria trair a esposa! Então voltou aos tempos de lobo?
-Não é nada disso! E além do mais, nem é traição. É só uma trepada.
-Queria ver se tua mulher ia concordar.
Enquanto conversavam, a stripper nua desceu do palco e sentou-se na perna de Draco. "Me paga uma bebida?"
Draco avaliou-a. Então pegou algum dinheiro no bolso e o encaixou entre as pernas cruzadas dela.
-É um prazer lhe pagar uma bebida, mas você vai buscar.
Ela saiu do colo dele lascivamente e foi até o bar.
-Olha-disse Theodore - acho que você está colocando chifres em cabeça de burro. Astoria gosta muito de você e é uma mulher decente. Não iria fazer isso, e muito menos de um modo tão evidente.
-Espero que não. Mas de qualquer modo, não consigo parar de pensar no que ela pode estar fazendo.
A stripper voltou e já ia se jogando em cima de Draco, quando ele a afastou e disse:
-Vá procurar outro. Aqui você não vai conseguir nada.
A mulher lhe lançou um olhar irritado. Então olhou para Theodore e perguntou:
-E você? Também veio só olhar?
-Claro que não, delícia! Draco, se me dá licença.
-À vontade.
Theodore seguiu com a stripper e Draco ficou observando as outras mulheres que se exibiam à espera de alguém que lhe pagasse uma bebida e uma noite. E, espantado, constatou que nem todas elas juntas ― e eram umas 10 ou 12 ― eram capazes de substituir a sua esposa, que tanta falta lhe fazia naquele momento.

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Na manhã seguinte Astoria, cansada da festa, acordou mais tarde do que planejava. Ao perceber que perderia o avião caso se atrasasse tomou um banho rápido, arrumou as poucas coisas que tinha levado e foi embora o mais rápido que pôde.
Algum tempo depois, estava desembarcando novamente em Londres. Como tinha saído do hotel sem tomar café, estava pensando em ir a uma cafeteria. Remexia na bolsa em busca de dinheiro trouxa quando uma voz conhecida a chamou. Surpresa, ergueu a cabeça e viu seu marido na sua frente.
-Draco! ― Ela o abraçou e beijou discretamente. ― Por que não disse que viria me buscar?
-Quis fazer uma surpresa. Vamos? ― Disse, pegando a mala dela.
Astoria olhou furtivamente para uma cafeteria bem próxima a eles.
-Draco, não comi nada antes de sair do hotel. Não podemos ir até ali para eu comer alguma coisa?
-Para quê? Vamos para casa e você toma seu café lá.
A loira olhou para a cafeteria novamente, esperançosa.
-Eu gosto tanto daqueles croissants...
-Peça às empregadas para fazerem alguns. E vamos embora. Este lugar me dá alergia.
Draco foi andando e Astoria o seguiu, desapontada. Seu tempo de liberdade estava oficialmente encerrado.
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Semanas depois, Draco e Astoria estavam em casa, ele lendo jornal e ela tomando chá, quando uma coruja entrou na sala e deixou cair uma carta no colo da mulher. Ela leu o envelope: era uma carta de Eileen, agradecendo a presença dela ao casamento e convidando-a para conhecer sua nova casa. A carta também continha um jornal local com algumas fotos do casamento na parte dos eventos sociais.
Astoria leu a carta com um enorme sorriso. Draco, ao vê-la, perguntou:
-De quem é a carta? Do seu amante irlandês?
Distraída, Astoria não compreendeu. Então ele repetiu:
-Perguntei se a carta é do seu amante irlandês.
Astoria o encarou incrédula.
-Draco, isso não tem a menor graça!
Ele deu sua típica risada fria.
-Você voltou tão felizinha da Irlanda que não sei...
-Pare de bancar o idiota! Fiquei feliz pela minha amiga! Qual o problema?
Ele a ignorou.
-Você sozinha, naquela cama de casal do hotel? Até parece. Deve ter aproveitado muito.
Astoria levantou-se, indignada.
-Você está me ofendendo! Foi para isso que me deixou ir? Para ficar falando um monte de bobagens depois?
Draco não respondeu e pegou o jornal que estava nas mãos de Astoria. Folheou-o até encontrar as fotos do casamento. De repente levantou-se furioso e foi até a esposa:
-Eu não disse? Olhe aqui! Olhe aqui!
Ele quase esfregou o jornal no rosto dela. Astoria então viu uma foto onde ela aparecia com os noivos e mais alguns convidados. O problema é que um deles, um rapaz forte e bonito, na foto aparecia com um dos braços na cintura de Astoria. Não havia maldade no toque dele, era apenas uma pose, mas para Draco parecia equivaler a uma relação sexual.
Astoria percebeu o problema. Olhou nos olhos de Draco e disse com sinceridade:
-Nem sei quem é esse homem. Devia estar distraída na hora da foto e nem percebi isso.
-Ah, então estou bem arranjado, não é? Se minha esposa deixa os machos passarem a mão nela e nem sente!
-Cale a boca, seu imbecil!
Os dois se encararam com raiva, ela pela ofensa e ele pela insolência dela. Ainda olhando nos olhos do marido, Astoria falou, deixando a raiva impregnar suas palavras:
-Já que você quer tanto que eu tenha um amante irlandês, vou acabar arrumando um!
Draco aproximou-se dela e segurou seu queixo com força, obrigando-a a encará-lo bem de perto:
-Experimente me trair e estará morta antes do primeiro orgasmo!
Astoria desvencilhou-se dele, massageando o queixo.
-Seu grosso!
E antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela subiu para o quarto levando o jornal e a carta. Sentou-se no puff e abraçou as pernas, ainda com raiva, mas pensativa. Desconfiança. Acusações. Ofensas.
Os ciúmes doentios de Draco estavam de volta.

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[/b:h0t11sh0]Alguns dias, várias conversas e muitas flores depois, os dois acabaram fazendo as pazes. Draco pediu desculpas pelas palavras duras e injustas proferidas contra a esposa, alegando que tinha ficado inseguro por ela ter viajado sozinha. Ela então o fez lembrar de que só viajou sozinha porque ele não pôde ir. Isto arrefeceu a desconfiança de Draco e o assunto morreu.
Certa noite, durante o jantar, Draco fez um anúncio para Astoria.
-No final do mês teremos uma festa para ir. Um grande amigo e sócio meu está voltando da América do Sul e vai haver uma festa para recebê-lo, na casa do Goyle.
-Tudo bem. Qual o traje?
-Passeio. Vai ser uma reunião grande, mas informal. Será no fim da tarde.
-Quer que providencie algo para você? Sapatos, vestes novas ou algo assim?
-Sim, vestes novas. Depois vemos isso com calma. Também seria bom levarmos um presente para ele. Somos amigos há muitos anos e ele seria meu padrinho de casamento, mas já estava na América do sul e não tinha como vir.
-É mesmo? Quem é ele?
-Zabini.
O garfo caiu no prato de Astoria com estrépito enquanto ela exclamava: "Blaise Zabini"?
Draco estreitou os olhos e a encarou de modo sagaz, dizendo bem lentamente:
-Sim, Astoria. Blaise Zabini, que estudou comigo em Hogwarts. Vocês se conhecem?
Ela sabia que era tarde para negar ou fingir que sua reação não tinha sido suspeita.
-Conheço, claro. De certo modo todos que eram de Slytherin naquela época se conhecem, não é? Lembro-me vagamente dele. Não sabia que ainda eram amigos, você nunca fala nele.
-Sim, ainda somos amigos. E como sabe que já éramos antes? ― Draco prosseguiu. Astoria, encarando o prato, tinha a absoluta certeza de que o marido estava olhando fixamente para ela.
-Lembro de vocês juntos em Hogwarts, Draco. É só isso.
-Você pareceu tão [i:h0t11sh0]emocionada [/i:h0t11sh0]com a notícia de que ele vai voltar que eu pensei que eram amigos também.
Astoria deu um riso forçado e sem graça.
-Impressão sua, querido. ―E num esforço visível para mudar de assunto, indagou:
-Onde está Narcisa?
Draco suspirou.
-Foi ficar com meu pai.
Astoria, tentando ficar mais calma e ao mesmo tempo curiosa, questionou:
-Por que Lucius não volta para casa? Essas viagens têm sido muito cansativas para ela, não acha?
Draco contraiu os lábios antes de responder, triste:
-Papai está doente. Tudo o que passou na guerra o deixou um pouco... perturbado. Ele não consegue voltar para esta casa. Mamãe não quer nos deixar. Então ele fica no interior, sob cuidados médicos. Está melhorando. Espero que em breve ele esteja conosco de novo.
-Esperamos que sim. ― incentivou Astoria. E querendo se afastar do marido, terminou o jantar e foi para o quarto.
Já sozinha, refletiu sobre a informação que acabara de receber.
Blaise Zabini. Dentre tantos homens no mundo, logo Blaise era amigo de Draco. Astoria não queria nem imaginar o que aconteceria se ele soubesse de sua vida pregressa. Não que nela houvesse algo condenável para se esconder, mas por algum motivo ela tinha certeza de que qualquer envolvimento anterior dela com o amigo de seu marido ciumento e possessivo seria motivo para um inferno em sua vida.
Ela se trocou lentamente e foi se deitar, ainda pensativa.
"Por Merlin. Draco não pode nem sonhar com isso", pensou antes de deitar para, em poucos minutos, cochilar.
Seus pensamentos estavam distantes, muito distantes, quando Draco a acordou de madrugada.
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