Beco Diagonal ― do seu jeito sempre
8 - Reencontro

Astoria cambaleou levemente ao terminar a aparatação.

-Está tudo bem? ― indagou Draco, cuidadoso.

-Sim, querido. Só estou um pouco zonza, mas já vai passar. Sempre fico assim após aparatar, por isso não gosto muito.

-Bem, já chegamos. Não esqueceu o presente, não é?

-Claro que não. O melhor hidromel que pude encontrar. Espero que ele aprecie.

Draco sorriu e dirigiu-se ao portão. Tocou em uma aldrava na forma de uma cobra em círculo e ao fazê-lo o portão imediatamente se abriu. Draco pegou a mão de Astoria e entrou.

Já havia um grande número de pessoas presentes. O espaço estava decorado de modo refinado e havia garçons por todo lado, tratando de manter as taças e copos bem cheios o tempo todo. Uma enorme pista de dança fora arrumada, encimada por vistosa tenda sustentada por quatro resistentes pilares e um grande poste central. Sob a tenda não havia ainda candidatos a dançarinos da noite.

Draco cumprimentou alguns dos presentes, seguido pela esposa. Não encontraram imediatamente o homenageado da noite, mas falaram com Goyle e Eleonora e depois foram buscar uma mesa. Já acomodados, receberam drinks servidos pelos garçons.

-Está tudo muito bonito, não é? ― Comentou Astoria. ― Quem será que decorou ?

-Deve ter sido Eleonora. ― Respondeu Draco. ― ela tem muito bom gosto.

Astoria sorriu. Distraída, observava um casal que arriscava os primeiros passos na pista de dança quando ouviu uma voz atrás de si.

-Bem-vindo, nobre casal Malfoy!

Astoria virou-se e deparou com Blaise Zabini, que sorria para o casal. Draco levantou-se e cumprimentou-o animadamente. Perguntou como ele estava, brincou com o sotaque alterado dele e entregou-lhe o presente. Ele agradeceu feliz. Depois, voltou-se para Astoria. Segurou sua mão e exclamou:

-Astoria Greengrass! Ou melhor, Astoria Malfoy. É um prazer revê-la.

E beijou-lhe a mão polidamente. Astoria deu um sorriso desconcertado e enrubesceu. O olhar de Draco passou de radiante a desconfiado em uma fração de segundo.

-Então, vocês se conhecem? ― indagou o loiro.

-Sim, claro que sim. Estivemos todos juntos em Slytherin, não? ―respondeu Blaise alegremente. E prosseguiu: - Diga-me, cara senhora, como tem feito para aguentar esse cara chato?

Astoria sorriu e respondeu com simplicidade:

-Com amor fica fácil.

Blaise ergueu as sobrancelhas, surpreso:

-Olha só! Draco, você conseguiu mesmo uma santa para te aturar?

Draco, que observava a cena um pouco incomodado, notou que Blaise ainda não tinha soltado a mão de sua esposa. Num movimento rápido, pegou a mão dela e a puxou para perto.

-Sim, Blaise. Sou um homem de sorte. Agora, pare de ficar de olho grande na minha mulher.

-Uhhuuu... ― Caçoou Blaise. ―Relaxa, cara! Se há alguém com quem você não precisa se preocupar é comigo. Bem, aproveitem a festa. A gente se vê.

Ele deu um tapinha nas costas de Draco e afastou-se. Astoria preparou-se para uma torrente de insultos, como era comum quando Draco estava enciumado.

Misteriosamente, ele não disse nem uma única palavra. Entretanto, seu olhar dizia muitas coisas ao observar Zabini se afastando.

Instantes depois apareceu um homem de meia idade e cumprimentou-os. Draco o convidou para sentar-se à mesa com eles, e os dois engrenaram uma conversa muito chata sobre negócios. Aproveitando a oportunidade, Astoria foi até a mesa onde estavam servidos vários quitutes e começou a colocar alguns deles em um prato para ela e Draco.

-Astoria Malfoy? ― Chamou uma voz feminina. Astoria olhou e viu uma mulher bonita, vestida de modo provocante, que ela não conhecia. A jovem a encarou, desconfiada:

-Nós nos conhecemos?

-Nunca fomos apresentadas. ― respondeu a mulher. ― Mas eu a conheço muito bem. Afinal de contas, você acabou com meu lazer preferido! ― a mulher tinha um ar divertido ao falar.

-Não estou entendendo ― comentou Astoria. ―Se nem nos conhecemos, como isso pode ter acontecido? Que lazer era esse com o qual você diz que eu acabei?

-Transar com Draco. ― respondeu a mulher, sem rodeios.

Astoria largou o prato em cima da mesa violentamente, insultada.

-Mas é muito atrevimento! Como ousa...

-Calma ― cortou a mulher, sorrindo banalmente. ― Fique tranqüila, não tenho mais nada com ele! ― A mulher falava como se comentasse o preço de tomates na feira. ― Vim falar com você porque fiquei... Curiosa. O que será que você tem que acabou conquistando-o?

-Talvez o fato de eu não me comportar como uma piranha! ― exclamou Astoria, seu rosto vermelho, os punhos fechados, controlando-se para não socar aquela mulher, que claramente queria provocá-la.

A mulher prosseguiu:

-Hum. Você parece tão bobinha, quando se olha de longe, mas agora estou vendo que também fica zangada, não é? Draco deve gostar. Ele sempre dizia que gostava do meu lado selvagem.

A respiração de Astoria ficou ainda mais pesada. Ela mal conseguia controlar a raiva.

-Pois agora seu lado selvagem não serve para nada. Ele provavelmente nem se lembra de você.

-Uhu! ―Exclamou a mulher - Quanta autoconfiança! Mas ele lembra de mim sim, tenho certeza. Passamos a despedida de solteiro dele tão agarradinhos... E você? Qual o seu trunfo? O que usou para prender o Draco?

-Certamente, algo bem diferente do que você deu e ele enjoou-disparou Astoria, furiosa.

A mulher riu.

-Então você se casou virgem? ―Deu uma gargalhada exagerada. ― Eu sabia que havia algo mais nessa história. Ai ai, Draco é mesmo antiquado em algumas coisas.

Um garçom se aproximou e as duas pegaram drinks, a mulher para continuar com seu joguinho e Astoria por precisar realmente de uma bebida para tentar se controlar. A mulher não parecia disposta a deixá-la em paz.

-Se eu fosse você, trataria de ser mais atraente para Draco. Ele teve muitas mulheres, e se você não se cuidar, rapidinho ele vai procurá-las para se livrar do tédio. Aquela ali ― apontou para uma mulher que dançava na pista com o namorado ― transava com ele em qualquer lugar, bastava ele estalar os dedos e ela ia correndo. Aquela ― apontou para outra, que conversava com um grupo de mulheres ― era tão despudorada que até ele se assustava. E aquela ali ― apontou para outra, que disfarçadamente observava-as ― fez loucuras com ele na cama, e isso eu garanto, porque também estava presente. Todas aqui já passaram pela cama do seu maridinho.

Astoria tremia, cheia de ódio, e sentia lágrimas querendo encher seus olhos. A mulher, notando seu nervosismo, disse, provocando-a:

-Se você precisar de uma ajudinha para esquentar seu casamento, fale comigo. Vou adorar matar as saudades do p...

Ela não terminou a frase: Astoria jogou seu drink na cara da mulher, enquanto exclamava: "só passando por cima do meu cadáver!" Em seguida, atirou o copo na mesa e se afastou às pressas, tentando impedir as lágrimas de caírem. Sentia-se humilhada após ouvir tudo aquilo. Porém, quando já estava alguns passos distante, ouviu a mulher falar:

-Está achando que é exclusiva? Sua imbecil! Tem mais chifres na sua cabeça do que na de um alce! Se eu quiser o Draco de volta, é só chamar que ele vem!

Astoria voltou-se e avançou furiosa em direção à mulher, que ria com desdém, observando-a se aproximar. Algumas pessoas notaram a movimentação e ficaram atentas e espantadas, enquanto Astoria fazia menção de atacar, porém foi contida por Theodore Nott, que percebeu a briga iminente e correu para impedir.

-Madames, madames... Vamos parar com isso, vocês são pessoas civilizadas. Duas damas não devem se envolver em agressões físicas. Por favor, se acalmem.

-Foi essa vadia quem começou! ― Exclamou Astoria, ainda contida por Nott. ― Eu estava aqui me servindo e ela veio me insultar!

-Perua sonsa. ― Limitou-se a dizer a outra, provocando. Astoria tentou se desvencilhar para atacá-la, mas não conseguiu. Nott encarou a mulher e disse: "Já chega!". Ela deu de ombros e se afastou com um meio sorriso. Astoria, furiosa, estava ofegante.

-Astoria, está tudo bem? ― Indagou o homem.

-O que você acha? ― ela respondeu, ríspida. Estava vermelha, os olhos a ponto de derramar uma torrente de lágrimas, os cabelos desalinhados. Nott pegou um copo de água e lhe ofereceu. Ela engoliu a água com as mãos tremendo. Vasculhou o local e localizou Draco. Agradeceu o apoio dado por Nott e foi até a mesa onde o marido ainda conversava sobre negócios, e desabou em uma cadeira, respirando com força, chamando a atenção dos dois homens. Draco arregalou os olhos enquanto o outro se levantava, dizendo: "Acho que sua esposa deseja conversar com você, Malfoy. Depois nos falamos.".

Draco já ia engatar uma bronca em Astoria, mas percebeu que ela estava nervosa e indagou:

-O que houve?

-Quero ir embora daqui agora!

-Ir embora? Acabamos de chegar! Não podemos sair agora.

-Se você não vai me levar, vou sozinha. Aqui eu não fico mais!

Draco, percebendo o descontrole de Astoria, que já não conseguia conter as lágrimas de raiva, pegou a mão dela e dirigiu-se ao interior da casa. Em um corredor vazio, indagou:

-O que aconteceu, meu bem? Por que está tão nervosa?

Astoria, soluçando, respondeu:

-Você não tem o menor respeito por mim! Como pôde me trazer a uma festa onde não há uma única mulher que você não tenha comido?

-Não seja grosseira! ― Ralhou ele. ―E nem é verdade o que está dizendo. A mãe do Zabini, por exemplo... ―ia dizendo ele, numa tentativa de fazer piada, quando Astoria começou a socá-lo.

-Seu idiota!Você não respeita sua própria esposa!O que está pensando?Que me achou no lixo?

Vendo que ela estava mesmo nervosa, Draco segurou seus pulsos para fazê-la parar de lhe socar. Depois a abraçou, acalmando-a. Ela então desatou a chorar.

Eleonora, esposa de Goyle, viu a cena e aproximou-se cuidadosamente.

-É melhor que vocês conversem no meu quarto. ― ela disse, conduzindo os dois ao recinto para que conversassem com privacidade.

Draco encarou Astoria, que chorava de cabeça baixa, com o rosto vermelho e a maquiagem desfeita.

-Dá para me explicar o que houve? ― Pediu ele, irritado.

Sem olhar para ele, Astoria respondeu:

-Uma de suas vagabundas veio falar comigo. Fez questão de me contar como sua vida era animada antes de se casar.

-Quem foi a idiota? ― Indagou ele.

-Não sei quem é a vadia, mas pelo modo que falou você deve conhecê-la a fundo.

Draco refletiu por alguns instantes, decidindo que rumo dar àquela conversa. Então aproximou-se da esposa, tentando amenizar o clima.

-Astoria, por mais que isso possa te incomodar, você sabe que eu tenho um passado. Não me casei virgem como você, sabe disso. Mas como o próprio nome diz: é passado. Nenhuma delas tem importância.

-Quantas vezes mais vou ter que aturar isso? Suas amantes vindo me dizer que sentem sua falta, que você era bom na cama, que eu tenho que tomar cuidado?

-Tomar cuidado com o quê? Deixe que elas digam besteiras. Elas te invejam porque você conseguiu o que elas queriam. Jogavam-se na minha cama tentando me amarrar, mas quem se casou comigo? Quem tem uma aliança no dedo com o meu nome? Quem está comigo agora?

Astoria esboçou um sorriso, ainda sem encarar Draco. Ele a abraçou e ela descansou sua cabeça sobre seu peito. Sentiu a mão dele acariciando seu rosto e aquela voz que ela adorava em seu ouvido:

-Você é a minha pedra preciosa. A minha jóia. E eu não vou trocar você por uma bijuteria qualquer, entendeu? Elas são o meu passado. O meu presente e o meu futuro são você. Esqueça tudo o que ouviu e levante essa cabeça. Estou te pedindo. Elas não merecem que você chore.

Astoria sorriu e olhou furtivamente para o marido. Ele a abraçou com mais força e lhe deu um beijo terno, tranqüilo, querendo acalmá-la e convencê-la de suas palavras. Então ouviram algumas batidas na porta.

-Precisam de alguma coisa? ― indagou Eleonora, abrindo a porta e observando o rosto de Astoria.

Draco dirigiu-se à anfitriã:

-Sim, por favor. Pode ajudar Astoria a se recompor?

-É claro.

Draco deu um beijo na testa de Astoria e saiu. Eleonora observou o rosto de Astoria, avaliando o que precisava ser feito. Então, ofereceu-lhe uma caixa de lenços para limpar o rosto. Astoria agradeceu e começou a limpar o rosto para refazer a maquiagem. Constrangida, comentou:

-Desculpe-nos por isso. Você deve estar tão ocupada, e nós aqui dando trabalho.

-De modo algum. ― respondeu Eleonora. ― Quero que se sintam bem em minha casa. Vi a confusão de longe. Infelizmente não pude intervir. Não dê ouvidos ao que estas mulherezinhas falam. Por mim, nem entrariam aqui. Quando me casei também tive que aturar essas coisas.

-Como você sabe o que houve? ― indagou Astoria, curiosa.

-Eu as vi conversando e fiquei observando. Mas ouça o que digo: não dê atenção. Elas te invejam.

As duas permaneceram em silêncio, enquanto Eleonora maquiava Astoria. Após alguns minutos, voltaram a conversar.

-Você precisa entender que está em uma posição muito cobiçada. Seu marido é rico, bem posicionado e tem fama de mulherengo. Se você não se impuser, elas te engolem. ― disse Eleonora, que agora arrumava os cabelos de Astoria.

-Não sei o que fazer. ― confessou a jovem. ― Sinto que Draco gosta de mim, mas o que posso oferecer que ele já não tenha tido?

Eleonora finalizou o penteado e fez com que Astoria se olhasse no espelho, e foi falando enquanto erguia o queixo dela:

-Estas vadias podem dizer o que quiserem, porque a verdade é uma só: você é a senhora Malfoy. E elas têm que engolir. Draco a escolheu e fez de você sua esposa. Significa que você o atrai e que ele quer construir um futuro ao seu lado. Isto já é muito. Ele viu em você qualidades que você mesma não viu. Trate de reconhecer isso e lutar pelo que é seu. Coloque um sorriso neste rosto bonito e vá para junto de seu marido. Não há melhor resposta para esses abutres do que mostrar qual é o seu lugar e qual o delas.

Astoria deu um largo sorriso para Eleonora.

-Obrigada, Eleonora. Obrigada pelo apoio e por tudo. Não sei o que faria sem você.

-Disponha. E veja se aparece mais. Homens como os nossos não podem ficar voando por aí. Aproveite as quartas-feiras de jogos deles e venha me visitar de vez em quando.

-Obrigada. Eu virei. ― Astoria respondeu sorrindo e saiu do quarto. Para sua surpresa, Draco a aguardava e sorriu ao vê-la. Os dois voltaram à festa esplendorosos, para irritação das ex-amantes preteridas. Draco viu Astoria lançar um olhar feio na direção da mulher que a ofendera, então, deu um jeito de pararem perto dela e tascou um beijo escandaloso em sua boca, fazendo a mulher se afastar. Astoria sorriu. Não mais se incomodaria com as ex-amantes de Draco durante a festa.

-Vamos dançar?

-Dançar? Mas Draco, nós nunca fazemos isso! Como vamos dançar em público?

-Bom, para tudo tem uma primeira vez, não é?

-Podemos tentar, mas acho que estamos enferrujados...

-Vamos desenferrujar, então.

Draco puxou Astoria pela mão e começaram a dançar. A jovem estava nervosa, mas empolgada, e Draco estava se divertindo com o jeito dela. Desajeitados, arriscavam passos de dança que terminavam com ambos rindo, um caindo nos braços do outro. Nem se importavam com o quanto pareciam engraçados, estavam apenas curtindo a harmonia daquele momento.

Quando finalmente se cansaram de pisar nos pés um do outro, foram se sentar para beber e se refrescar, ainda rindo. Antes, porém, Draco encostou Astoria no poste central e lhe deu um longo e profundo beijo que a deixou sem fôlego e as ex-amantes de Draco roídas de inveja.

Os dois conversavam animadamente, quando chegou Theodore Nott:

-Finalmente Draco tirou você de casa, heim, dona Astoria!

A jovem riu e cumprimentou o rapaz. Draco o convidou para se sentar e ele o fez, após servir-se de um drink. Os três passaram alguns minutos conversando, até que foram interrompidos por uma mulher:

-Puxa, Theodore! Você me deixou sozinha outra vez!Custava avisar que estava vindo para cá?

A expressão alegre no rosto apagou-se instantaneamente. De repente ele parecia incomodado.

-Não sabia que tinha que lhe passar relatório de onde vou e com quem falo - ele respondeu rispidamente, e logo emendou: - Vamos falar com Blaise, Draco?

Astoria lançou um olhar de aprovação ao marido e ele se afastou com o amigo. A recém chegada observou-os se afastando, com ar zangado.

-Olá Charlotte. ― cumprimentou Astoria. A mais recente companhia de Theodore era uma antiga conhecida sua e alguém por quem ela não nutria muita simpatia. Mesmo assim, tentou ser amável. ― Estes homens, sempre nos dando trabalho.

-Deixa ele. ― retrucou Charlotte, irritada. ― Deixe que fuja enquanto pode. Depois que nos casarmos, terá que me aturar, querendo ou não.

-Casar? Já estão planejando casamento? Mas vocês estão juntos há o quê,uns três meses? Não estão se precipitando? ―indagou a loura, tomando um gole do seu drink.

Charlotte encarou Astoria com irritação:

-Então ele não contou a vocês? Filho da mãe. Nós vamos nos casar, porque estou grávida.

O susto de Astoria foi tão grande que ela engasgou e teve uma crise de tosse. Charlotte a amparou e lhe deu água. Enquanto isso pensava: "Como essa cretina conseguiu engravidar tão rápido?" Já refeita, comentou:

-Desculpe. Engasguei. Mas então. Você está grávida? Que sorte, não é? Parabéns. ― Ela sorriu, tentando disfarçar sua inveja.

Os lábios de Charlotte se curvaram em um sorriso maléfico:

-Não é? Agora só tenho que apressar o casamento e não precisarei mais me preocupar com nada. Esse bebê será uma mina de ouro! Vou cair de para-quedas nas jóias da família Nott.

Astoria arregalou os olhos, chocada com aquela mulher, que tratava seu futuro filho como um produto. Charlotte se afastou a pretexto de procurar Theodore, sem notar que ele e Draco estavam se aproximando por outro lado.

Os dois homens pararam perto de Astoria, conversando. Astoria, incapaz de se conter, comentou:

-Parabéns, Theodore.

Theodore não pareceu muito feliz com o cumprimento. Sem compreender, Draco indagou:

-Parabéns por quê?

Theodore respondeu, exasperado:

-Aquela chata já foi abrir a boca, não é? Pedi para ela esperar e não sair espalhando a notícia.

-Que notícia, homem?

-Eu vou me casar com a Charlotte.

Draco olhou para o amigo com uma expressão estranha.

-Como é que você vai casar com ela, rapaz? Não gosta dela de verdade!Você não disse que estava até pensando em terminar o namoro? Aliás, nem namorados oficialmente vocês são, não é?

-É. ― respondeu Theodore, contrariado. ― Mas vou ter que me casar, porque ela engravidou, e...

-Charlotte está grávida? ― indagou Draco, incrédulo.

-Sim. Soubemos há duas semanas. Está com pouco mais de um mês. Estamos providenciando as coisas para o casamento, e...

-Você não precisa se casar com ela só por isso!-Exclamou Draco.

-Sei que não preciso, Draco, mas não vou ser frouxo e fugir às minhas responsabilidades.

-Cara, deixa de ser bobo! Ela está te dando um golpe!

-Draco! Isso não é da sua conta! ―interveio Astoria.

-Cale a boca! ― retrucou Draco exasperado, o que fez Astoria ficar de cara amarrada, com os braços cruzados e envergonhada pela postura do marido. Ele, por sua vez, continuou contestando a decisão de Nott.

-Theodore, mulheres como ela andam por aí à solta procurando caras como nós para lhes dar vida boa. Você não precisa se juntar a uma delas só por isso, ainda mais se tratando de uma que você nem ama! ―protestou o loiro, destemperado.

-Acontece que eu a engravidei, Malfoy. Não vou deixar um filho meu desamparado. Ela pode não valer nada, mas a criança não tem culpa. ― disse Theodore, com dignidade.

-Deixa de ser burro! Não tem nem dois meses! Você tem como acabar com isso rapidinho!

-Draco! ― exclamou Astoria, completamente constrangida pela postura do marido. ― Como pode dizer uma coisa dessas? Perdoe-o, Theodore. Ele não sabe o que está dizendo. Deve ter bebido demais.

-Tudo bem. ― respondeu o homem. ― Já estou acostumado com as idiotices desse cara. ―Ele riu, tentando descontrair. ― Bem, deixem-me procurar minha noivinha, antes que ela encha mais ainda o meu saco. Até mais!

Theodore Nott se afastou, sob os olhares de Draco e Astoria. Quando ele já estava longe, Astoria disse secamente ao marido:

-Podia ao menos ter disfarçado. Também fiquei com inveja, mas ao menos disfarcei.

Ele não deu atenção ao comentário.

-Nem são casados, ele nem gosta dela e vão ter um filho. Porra, que droga de mundo é esse?

-Talvez seja um castigo para você, por ter pensamentos maus. Onde já se viu, sugerir um aborto ao seu amigo? Logo você, que tanto quer ser pai!

-Ah, não me enche! ― Draco exclamou, afastando-se de Astoria, sem conseguir disfarçar sua irritação.

A jovem sentou-se e ficou por vários minutos, quase uma hora, sozinha à mesa. Refletia sobre a conversa com Theodore e Draco. Apesar de ter criticado o marido, achava que ele tinha razão em achar que o casamento de Nott e Charlotte era uma péssima escolha, e podia compreender exatamente o que Draco sentia. Afinal, em seu peito, o sentimento era exatamente igual.

Astoria cansou-se de permanecer à mesa esperando por Draco e resolveu procurá-lo. Andou pela festa tentando encontrá-lo, mas não o achou. Passou por Goyle, que lhe disse que Draco estava bebendo com outros amigos e indicou-lhe onde ir. Astoria seguiu na direção indicada e estava passando pela pista de dança, quando sentiu alguém segurar seu braço. Virou-se um pouco irritada e deparou com Blaise Zabini.

-Permiso, señorita. ― ele disse, com uma engraçada mistura de sotaques e idiomas. ― O que faz uma senhora tão bela andando sozinha por aqui?

Astoria riu.

-Estou procurando meu marido.

-Me permite a honra desta dança, enquanto seu marido não aparece?

Astoria sabia que Draco não iria gostar nada disso.

-Acho melhor não.

-Ah, relaxa, Astoria! É só uma dança. Draco não vai se importar. ― Blaise respondeu, puxando a mulher pela mão.

Uma música tranqüila tocava e alguns casais dançavam abraçados romanticamente. Blaise mantinha uma distância respeitosa de Astoria, mas segurava sua mão e enlaçava sua cintura, embalando-a ao ritmo da canção. Seus olhos ocasionalmente iam parar no decote de Astoria.

Sentir o toque dele a deixou nervosa. A mulher sentia seu coração batendo descontroladamente, numa mistura de excitação e medo.

Blaise começou a falar, encarando-a.

-Então. Senhora Malfoy. Quem diria, não é?

-Pois é.

-Levei um susto quando ele me convidou para ser o padrinho do casamento de vocês. Foi uma pena não ter podido vir.

-Realmente. Foi uma festa muito bonita. Mas e você? Não se encantou por nenhuma bela sul-americana?

Ele riu.

-Encontrei algumas, mas nenhuma delas quis meu pobre coração.

Astoria sorriu timidamente. Blaise, parecendo casual, puxou-a um pouco mais para perto e sua mão foi parar nos quadris de Astoria.

-Pois então, me conte: como conquistou o coração de Draco Malfoy? ― Blaise indagou, entre divertido e curioso.

-Seria melhor perguntar a ele. ― respondeu ela, tentando delicadamente se afastar um pouco e conduzindo a mão de Blaise de volta à sua cintura. ―Fiquei tão surpresa quanto você.

-Draco nunca tinha falado de você, e de repente se casam. É realmente surpreendente.

-A vida é surpreendente. ― Astoria respondeu serenamente.

-Me conta uma coisa. Ele sabe de nós?

Astoria ofegou.

-Não, ele não sabe. Aliás, ele sequer pode imaginar.

-Não se preocupe, não vou dizer nada. Agora, tenho que confessar que me dá um pouco de inveja saber que ele desvendou os mistérios que eu não pude.

Astoria, desconfortável com a conversa, respondeu:

-Ele estava mais disposto a fazer sacrifícios pelo que queria.

Blaise lançou-lhe um olhar confuso. Logo depois, a compreensão se espalhou por seu rosto:

-Você casou virgem? Não! ― ele riu, incrédulo. ― Filho da mãe sortudo! Minha nossa, como você é determinada!

-Eu não chamaria de determinação, mas de precaução.

-Precaução? ― zombou ele. ― E do que você pretendeu se precaver, para dizer não aos prazeres da vida? Bebês?

-Não, Blaise. Talvez sua memória seja curta, mas em todo caso, posso lhe lembrar: machucaram meu coração uma vez, e eu não dei oportunidades para que fizessem isso de novo. ― ela disse, seus olhos perfurando os de Blaise. Ele ficou sério e em silêncio. E no silêncio que se seguiu, Astoria relembrou aquela historia do seu passado.

Ela tinha 14 anos e estudava na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Era uma garota bonita e alegre, e chamava a atenção por sua doçura. Muitas meninas de sua idade já tinham namorado e comentavam animadamente sobre suas experiências, mas ela apenas beijara dois ou três colegas, sem grandes envolvimentos. Até que começou a receber as atenções de um de seus colegas de casa: Blaise Zabini.

Dois anos mais velho, bonito, atraente. Obviamente a menina não resistiu aos seus encantos e logo estava em seus braços trocando beijos calorosos e promessas de amor ― às escondidas, porque ele não queria ser visto com uma menininha em vez das garotas mais velhas.

Quando desejava vê-la, passava pela sala comunal e fazia um discreto sinal para a garota. Ela disfarçava e dava um jeito de sair, indo ao encontro do namorado. Estava sempre ao seu dispor, como ficam as garotas quando estão apaixonadas e cegas de amor.

Para ele, porém, encontros furtivos movidos a beijos calorosos e abraços não eram o bastante. Logo que ganhou a confiança dela, passou a investir em carícias mais atrevidas, que ela tratava de bloquear, apesar de gostar dele. Após alguns meses de namoro ele procurava lugares cada vez mais desertos para ficar com ela, na intenção de conseguir realizar o seu intento.

Um dia, Blaise a levou para trás das estufas em uma tarde onde os jardins de Hogwarts estavam desertos. Ela mal chegou e ele já foi a atacando com beijos ardentes. Ela gostou e foi se deixando levar, até ele começar com suas investidas ousadas.

-Não, Blaise!Assim não. ― ela disse, ao sentir a mão dele acariciando suas coxas sob a saia que usava.

-Deixe de ser boba, gatinha. Você vai gostar. ― Ele respondeu, ignorando o pedido dela. Aprofundou os beijos e sua mão explorou ainda mais o corpo dela, tentando alcançar sua intimidade.

Astoria tentou delicadamente se livrar dele.

-A gente não vai poder continuar se você ficar insistindo. ― ela disse, tentando afastar a mão de Blaise.

Ele diminuiu a intensidade de seus gestos, beijando-a e acariciando seus cabelos, até sentir que ela estava tranqüila. Então, num gesto rápido, abriu os botões da blusa dela e se pôs a beijar seu colo.

-Blaise!Assim não!

A jovem tentou se recompor,cobrindo-se com as mãos enquanto tentava fechar a blusa. Ele sorriu ao ver a lingerie delicada que ela usava.

-Peitinhos lindos. Me deixa tocar, vai. ― pediu ele, lascivo.

-Não! ― ela exclamou, tensa.

-Para de ser fresca, garota! Isso é bom, você vai gostar. ― Ele a agarrou, afundando o rosto no pescoço dela, beijando-a com muita força. Então pegou a mão dela e a fez sentir sua excitação. Ela puxou a mão com força. Chateada com a postura dele, se afastou. Recomeçou a abotoar sua blusa e olhou para ele, ofendida:

-Poxa, Blaise. Eu já disse a você que não quero. Ainda não estou preparada para isso! Custa alguma coisa você me respeitar?

Ele a encarou zangado:

-Qual é o teu problema? Você gosta de mulher, por acaso?

-Não! Não é nada disso! É só que...

-É só que você é uma tremenda criança! Quer saber de uma coisa? Sai daqui, sua babaca!

-Você não tem o direito de me tratar assim!

-Ah, não me enche! Sai daqui! Não preciso de uma garotinha pra ficar me dando beijo e abraço. Quero uma mulher! Se você não vai me dar o que quero, some daqui.

Ela o olhou com tristeza:

-Mas Blaise, eu gosto de você!Só não quero fazer isso agora! Não estou pronta! Por favor, me entenda!

-Some daqui! Vai embora. Faz o seguinte: não fale mais comigo. Me esquece! Faz de conta que nunca aconteceu nada entre a gente!Vai! ― ele gritou, segurando seu braço com força e atirando-a para longe.

Ela retornou para as masmorras, arrasada e desiludida. O que achava ser seu primeiro amor revelava-se uma sórdida mentir: ele queria apenas seu corpo, e não seu coração. Assim, humilhada e de coração partido, sufocou seus sentimentos e não se permitiu gostar de mais ninguém, com medo de ser usada outra vez. Até que Draco apareceu e ela não teve escolha a não ser se entregar. Até se apaixonar por ele. E agora que o amava, não queria mais se lembrar daquele homem em seu passado. Aquele mesmo homem que, no momento, a conduzia bailando ao ritmo da música.

Blaise ficou sério por vários instantes, apenas dançando. Parecia procurar palavras capazes de amenizar as ações do seu passado.

-Astoria, olhe. Eu lamento muito por tudo aquilo. Era um idiota. Um moleque controlado pelo tesão. Não deveria ter tratado você como tratei. Se puder fazer algo para amenizar isso...

-Esqueça. É passado. Não importa mais. ― Ela respondeu, seca.

-Se não importasse, você não lembraria.

-Olha, Blaise, o que quer que tenha acontecido, não importa mais. Sou uma mulher casada e amo o meu marido. O que me importa agora é o meu futuro com ele.

Houve mais um instante de silêncio. Astoria estava incomodada com aquela dança, mas sabia que uma saída intempestiva da pista de dança chamaria a atenção dos convidados ao redor. Já lhe bastava o escândalo anterior. Decidiu, porém, que ao terminar a música que estava tocando iria inventar uma desculpa qualquer - cansaço, enjôo, cólica, qualquer coisa - para acabar com aquela situação.

Blaise, por sua vez, parecia querer apagar qualquer má impressão causada em Astoria. Entretanto, em vez de insistir em ouvir que ela o perdoava, resolveu tratar de coisas mais amenas.

-E como vai a vida de casada? Draco tem um gênio do cão, não é? Já deu com a frigideira na cabeça dele muitas vezes?

Astoria não pôde evitar uma risada.

-Ele é um bom marido. É atencioso, cuidadoso. Temos nossas briguinhas, mas nos gostamos.

Blaise sorriu, e com uma expressão distante, comentou:

-Homem de sorte.

Astoria o ignorou. Ele então a encarou.

-Tenho que confessar que invejo o Draco. Uma mulher como você, bonita, atraente e inteligente, é difícil de achar.

-Obrigada. ― Ela respondeu constrangida, torcendo para a música acabar logo.

-Imagino ― prosseguiu ele ― o quanto ele está satisfeito beijando essa sua boca tão sensual. Você beija tão bem...

-Blaise, por favor, você está me faltando com o respeito! ― Astoria estava exasperada e já reconsiderando se deveria esperar o fim da música. Blaise, no entanto, parecia ter esquecido com quem falava e onde estava.

-Essa tua pele branca... Teus olhos, teu cheiro... Você é tão atraente, gostosa... Você na cama deve ser maravilhosa.

Astoria irritou-se com aquele abuso e, desvencilhando-se de Blaise, sussurrou:

-Francamente! Você não mudou nada, não é? Continua o mesmo, atrevido e indecente! Não respeita nem o fato de eu ser mulher do seu amigo!

Blaise piscou, como se estivesse saindo de um transe, e segurou a mão de Astoria, que se afastava zangada. Ela o encarou e ele, com sinceridade, disse:

-Desculpe-me. Não sei onde estava com a cabeça. Não queria lhe faltar com o respeito. Minhas sinceras desculpas. ― Beijou-lhe a mão polidamente. ― Por favor, não quero que minha festa seja motivo de más lembranças. Devo ter bebido demais para agir assim.

-Mais um motivo para eu sair de perto de você. ― ela disse, incomodada. Quando ia se afastar, uma nova música começou a tocar. Um ritmo completamente diferente. Blaise olhou divertido para os músicos e fez um gesto para o rapaz que os coordenava, indicando ter compreendido que tal música tinha a intenção de satirizá-lo. Astoria reconheceu aquele tipo de música: era um tango. Blaise ainda segurava sua mão. Ele a olhou e pediu, em tom de súplica:

-Por favor, só mais esta dança. Para acabarmos com as tensões, okay? Para selar o início de uma boa e feliz amizade. Topa?

-Não sei dançar isso. ― ela desconversou.

-Venha, eu conduzo você. ― ele afirmou, puxando-a para perto outra vez.

Blaise enlaçou a cintura de Astoria outra vez e esticou o braço junto com o dela. Ao ritmo da música, deu alguns passos, que ela tentou acompanhar, desajeitada. Sentiu seu pé dando uma pisada no de Zabini e o viu rir. Estava tensa, mas ele parecia se divertir.

Após alguns instantes ela estava mais relaxada. Se não dançava bem, ao menos conseguia acompanhar o ritmo. Ouvia algumas pessoas batendo palmas e outras incentivando a dupla com gritinhos de "Ándale,ándale" e "olé".

Porém, após alguns instantes, Blaise resolveu fazer uso do lado mais sensual do tango e olhando nos olhos dela fazia movimentos simulando acariciar seu rosto, seu corpo, puxava-a para mais perto, erguia-a e a fazia sentar sobre suas pernas. Embora nenhum dos dois fosse exímio dançarino, estavam fazendo uma apresentação interessante e animando os convidados.

E em um daqueles movimentos, o rosto de Astoria foi parar no pescoço de Blaise. Ela sentiu o cheiro dele, do seu perfume caro misturado a seu cheiro de homem, e alguma coisa se acendeu em sua mente. Como se fosse transportada a anos atrás, teve vontade de abraçá-lo, colar seus lábios nos dele, sentir suas carícias. Embora na periferia dos seus pensamentos a imagem de Draco estivesse nítida e ela confiasse em seu amor por ele, não pôde evitar aquela onda de desejo. Tinha certeza de que se não fosse casada, se entregaria àquele sentimento. Blaise já demonstrara que ainda a desejava e certamente a procuraria novamente. E desta vez ela não diria não.

Sua respiração tornou-se ofegante e passou a ser mais difícil acompanhar o ritmo sensual da dança. Sentir o corpo de Blaise junto ao seu, sua mão em sua cintura, tudo a estava fazendo perder o controle. Precisava sair dali antes que cedesse a seus desejos e cometesse uma loucura. Ao mesmo tempo em que seu corpo pedia mais de Blaise, sua mente suplicava para que a dança acabasse logo.

Como se atendesse a seus pedidos, a música chegou a seus últimos compassos. Blaise a fez dar um giro e terminou a coreografia fazendo-a ficar com o corpo arqueado, enquanto ele se curvava sensualmente sobre ela. Os convidados aplaudiram, animados, incentivando-os com gritinhos. Blaise a ajudou a se levantar e, segurando sua mão, fez uma reverência ao público. Ela o acompanhou. Ao ver a alegria contagiante das pessoas aplaudindo, não pôde evitar um enorme sorriso.

Seu sorriso se apagou em um segundo ao se virar para ver os outros convidados e ver alguém que também aplaudia, mas destoando completamente de todos os outros: batia palmas lentamente, com o olhar tomado pelo ódio.

Draco Malfoy também assistira ao espetáculo. E sua expressão deixava bem claro que não tinha gostado nem um pouco do show.

***Fim do capítulo***

N/A.: Gosta de fanfics Harry/Luna?

Então, dê uma olhadinha em "Só agora". =)

"- Calma Harry! Sou eu!

Harry expirou, aliviado. Acendeu a luz da varinha, mas aquela voz etérea era inconfundível. Ele não precisava ver para reconhecer a dona dela. E, após aquele susto, não podia ignorar que a presença dela era reconfortante, e lhe dava a sensação de que tudo estava bem.

-Luna, por Merlin, você quase me mata de susto! O que faz acordada a esta hora?

Um ar inocente perpassou o rosto da garota.

-Eu só ia beber um pouco de água.

Harry ergueu uma sobrancelha.

-Aqui? Por que aqui, se a cozinha fica do outro lado?

A garota contraiu os lábios.

-Eu estava sem sono e queria ler.

-No escuro?

Ela fez uma expressão contrariada, de quem é flagrado fazendo algo errado.

-Está bem! Certo. Eu queria ver você dormir."
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